Minha boa Amiga senhora Maria, da praia da Nazaré

Minha boa Amiga senhora Maria
Laranjo, da praia da Nazaré,
em quem tanto admiro essa fidalguia
de um povo que na Europa o mais fino é,
muito agradecido pelo almoço real
que aí me deu junto às ondas do mar;
tivera Camões comido um igual,
fazia-lhe versos mas não a zombar.

Minha boa Amiga senhora Maria
Laranjo, da praia da Nazaré,
por minha mulher a receberia
(se a minha Amiga quisesse já se vê)
se acaso a conheço quando era solteiro
para ser agora, – ventura tamanha –
em vez de pobre doutor, marinheiro,
mendigo do mar, arrais de companha.

Estando da banda dos pobres do mar
já eu não teria, como tenho às vezes,
remorsos tamanhos e tão graves fezes
de ver tantas dores em roda a penar;
assim penaria e acreditaria
como eles, por lindo milagre de fé,
que depois no mar do paraíso seria
o pescador mais feliz da Nazaré!…

Mas já que eu errei, por destino fatal,
o que era a minha pura, certa vocação,
saiba que em si louvo e admiro Portugal
no que tem de belo . alma e coração.
E saibam as altas senhoras princesas
que há uma fidalga aí na Nazaré
com quem elas podem aprender finezas
e a dar um almoço que tão fino é.

Afonso Lopes Vieira

Minha boa Amiga senhora Maria, da praia da Nazaré

Fonte: “Almanaque” (Grupo de Publicações Periódicas, ed. com.; Magalhães, J. A. de Figueiredo, dir publ.) – Dez. 1960 / Jan. 1961

A evolução do traje da mulher da Nazaré

O traje nazareno feminino não parou no tempo, nem se tornou uma peça museológica; pelo contrário, tem acompanhado as variações da moda – saias mais curtas ou mais compridas; novos tecidos, cores e padrões. É um traje que renasce cada ano, tornando a nazarena única entre as demais.

Esta afirmação surge no site da Câmara Municipal da Nazaré, procurando retratar a evolução do traje típico das suas gentes.

Esta realidade coloca-nos algumas questões que merecem a reflexão adequada numa perspectiva etnográfica e a procura de respostas que não se condicionem aos dogmas estabelecidos no domínio do folclore. Ler+