Antas do Alentejo – Arqueologia em Portugal

Antas do Alentejo

“Decerto não existe em Portugal região alguma tão abundante em monumentos megalíticos como a recatada e extensa terra de entre o Tejo e Odiana.

Os dolmens conservaram-se aí melhor do que em qualquer outra província, pela constituição do solo, abundante em pedras, e pela própria organização da propriedade rural, toda de latifúndios, que, não sofrendo as exigências construtivas da pequena propriedade, deixa em paz as pedras magníficas dos monumentos.

Foi a pequena propriedade que destruiu a maior parte dos dolmens minhotos, beirões, estremenhos e algarvios.

Dos milhares de antas que existiam no país e documentavam o florescimento de uma civilização multimilenária da pedra polida, resta ainda, apesar de tudo, uma boa porção.

Sucessivamente serão publicadas nesta revista fotografias de antas do Alentejo e de outras regiões, organizando-se assim um corpus especial destes monumentos.

O belo megálito representado na figura 1 está situado na herdade da Fonte das Mulheres, num ponto denominado Mem Soares, pertencente ao concelho de Castelo de Vide.

O reproduzido em dois aspectos nas figuras 2 e 3 assenta no Olival da Anta, na Herdade do Pombal, ou Pombaes, perto de Castelo de Vide.

Já foi reproduzida em litografia na obra de Pereira da Costa, Dolmins ou Antas de Portugal, (Lisboa – 1868).

Está transformada em barraca de pastores.“

Antas do Alentejo – Arqueologia em Portugal
Fig. 1 – Anta de Mem Soares
Antas do Alentejo – Arqueologia em Portugal
Fig. 2 – Um aspeto da Anta dos Pombaes
Antas do Alentejo – Arqueologia em Portugal
Fig. 3 – Outro aspeto da Anta

(Clichés de L. Keil)

Vergílio Correia

Fonte “”Terra Portuguesa – Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia” – N.os 17 a 20 – Junho a Setembro de 1917 (texto editado)