O reviralho – revoltas contra a ditadura de 28 de Maio

 3 de fevereiro de 1927 – o reviralho começa no Porto!

Os primeiros anos da ditadura, resultante da revolta proclamada em Braga, a 28 de Maio de 1926, e encabeçada pelo general Gomes da Costa, agravaram a situação herdada. O poder central e o local ficaram inteiramente nas mãos de militares.

Um jornalista francês que visitou Portugal em Maio de 1927 dá-nos uma boa imagem desse período:

«Esta ditadura tem um carácter sui generis, o comando exerce-se de baixo para cima. São os ‘sovietes de tenentes’ que se impõem aos generais e ditam a política. Nos regimentos, cada messe de oficiais é um parlamento, onde quem tem mais autoridade não é quem tem mais galões. De tempos a tempos vê-se um grupo de oficiais e subalternos subir as escadas de um ministério. Parecem muito contentes de si mesmos. É uma comissão de tenentes que vai dar as suas ordens. É o regime ‘ditatorial’ em acção».

Para estes grupos, um problema dominava todos os outros: o da ordem pública. Toda a divergência política era considerada um atentado à ordem pública e todo o contacto com os homens que nos anos anteriores tinham governado o País era suspeito. Foi estabelecida a censura prévia à imprensa, exercida por comissões militares.

Menos de um ano após o golpe militar, as forças políticas vencidas tentaram recuperar o poder, recorrendo de novo a um golpe militar.

Em Fevereiro de 1927 ocorrem no Porto e em Lisboa as primeiras revoltas contra a ditadura militar, que ficarão conhecidas como reviralho: sucessivas, mas desarticuladas, tentativas para derrubar pelas armas o regime emergente.

O levantamento, que começou no Porto, a 3 de Fevereiro, com o general Sousa Dias e algumas tropas a tomar o quartel-general, foi reprimida com meios aéreos e teve reflexos na província, é um acto de resistência tenaz

Também em Lisboa há revolta

Em Lisboa, os militares e civis ligados ao movimento deveriam impedir a saída de tropas para o Porto, mas tal não acontece. Apesar das trincheiras colocadas em pontos estratégicos da cidade do Porto, os revoltosos depressa sucumbem frente às tropas, que chegam de Lisboa a 7 de Fevereiro – no exacto dia em que a revolta estala, já tardiamente, em Lisboa. Também aqui, após três dias de trocas de tiros, a revolta é rapidamente controlada.

A maioria do exército estava com a ditadura e a revolta foi vencida depois de combates violentos.

Era o fracasso do reviralho. Cerca de 190 pessoas morreram (entre soldados e civis), 900 ficaram feridas e perto de mil revolucionários foram deportados para África.

Para a ditadura a sobrevivência depende do aumento da acção policial. Apesar disso, continuam as conspirações, como a revolta, em Julho de 1928, da guarnição do quartel de S. Jorge, com réplicas em vários pontos do país, e a intentona de Junho de 1930 (com envolvimento de Cunha Leal), abortada por uma polícia cada vez mais activa.

Fontes: História concisa de Portugal, José Hermano Saraiva | Portugal – Século XX – Crónica em Imagens | Os nossos anos: 1920-1929. | Imagem