S. Francisco de Assis encontrou-se com o Sultão do Egipto

 

O encontro de São Francisco de Assis com o Sultão do Egipto, Malik Al-Kamil, realizado há 800 anos, é, ainda hoje, motivo de inspiração para uma série de iniciativas que visam promover o diálogo entre os cristãos e os muçulmanos, e que se vão realizar num dos países em que há mais discriminação contra os cristãos: o Paquistão.

Neste ano de 2019, celebram-se os 800 anos do extraordinário encontro entre São Francisco de Assis e o sultão do Egito, Malik Al-Kamil, considerado um dos mais relevantes precedentes para o diálogo inter-religioso entre islâmicos e cristãos.

No ano de 1219, enquanto decorria a 5ª Cruzada (1217-1221) contra o Egipto, São Francisco de Assis oferece uma histórica contribuição para promover a paz, sob as bênçãos do Papa Honório III.

O “Pobrezinho de Assis” tinha ido até Damietta, a poucos quilómetros de distância do Cairo, para conversar com o sultão, num gesto inesperado, que, no entanto, durante muito tempo, foi considerado por muitos analistas como um “fracasso”.

São Francisco desejava ir até os muçulmanos “sem bolsa nem alforje” (tal como os 72 discípulos que Jesus enviou à Sua frente, cf. Lc 10,4), apenas com a “arma” do respeito fraterno para promover o entendimento entre os cristãos e os muçulmanos, numa lógica que deixou perplexos os seus contemporâneos – e que, ainda hoje, continua a deixar muitos atónitos.

É para recordar esse episódio de magnanimidade que, neste ano, e por iniciativa da Conferência dos Bispos do Paquistão, uma série de importantes celebrações pretende relançar a mensagem universal do compromisso comum pela paz.

A abertura deste ano dedicado ao diálogo ocorreu em Lahore, com a presença de D. Sebastian Shaw, Arcebispo dessa importante cidade paquistanesa, e Presidente da Conferência Episcopal do Paquistão, e do Padre Francis Nadeem, Custódio dos Frades Capuchinhos paquistaneses e secretário executivo da comissão episcopal para o diálogo inter-religioso. Além de numerosos franciscanos, religiosas, sacerdotes e leigos católicos, estiveram presentes estudiosos muçulmanos de várias regiões do país.

Durante o evento, em que foi apresentada uma bela pintura retratando o encontro de 800 anos atrás, o Pe. Nadeem recordou que São Francisco e Al-Kamil “se uniram em favor da paz e da tolerância em meio à atmosfera de guerra e conflito durante as Cruzadas. Deram exemplo de diálogo inter-religioso e de compreensão recíproca“.

O sacerdote anunciou para o decorrer de 2019 diversos seminários destinados a crianças, jovens e estudantes universitários, envolvendo cada vez mais os cristãos e os muçulmanos num diálogo de facto.

Pretendemos alcançar também aqueles 30% de líderes religiosos muçulmanos que são hostis em relação aos cristãos. Como São Francisco, sem medo, com a ajuda dos muçulmanos que estão do nosso lado, desejamos encontrá-los para promover a paz e a harmonia no Paquistão”.

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Muhammad Asim Makhdoom, respeitado estudioso islâmico que também esteve presente no evento, concordou dizendo: “Promoveremos juntos a missão de São Francisco e do sultão. Cabe-nos a nós enfrentar os que espalham ódio e preconceito entre as religiões. Cabe-nos a nós comprometermo-nos seriamente, neste ano, para convencer outras pessoas a unirem-se a este movimento que promove o diálogo inter-religioso, a paz e a harmonia social, enquanto celebramos o 800º aniversário daquele encontro histórico”.

A oração comum pela paz, recitada pela assembleia, encerrou o encontro num país que, hoje, sob a assim chamada “legislação anti blasfémia”, é um dos que mais perseguem os cristãos em todo o mundo.

Fonte do texto (adaptado e ampliado) e da imagem de destaque

Lembremos a Oração de São Francisco:

Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Ámen!

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