Festa de Santo Estêvão ou Festa dos Caretos

Festa de Santo Estêvão ou Festa dos Caretos

A Festa de Santo Estêvão, também conhecida como Festa dos Caretos, foi, mais uma vez, celebrada na vila de Torre de Dona Chama – Mirandela, como habitualmente, nos dias 25 e 26 de Dezembro.

Estas celebrações ancestrais iniciaram-se, na noite de 25, com o acender da tradicional fogueira no Largo da Berroa. Aqui, os torreenses juntaram-se para um ritual de sátira social apelidado de “Manda el Rei meu Senhor que Saiam os Jogos à Praça”.

Ainda nesta noite, os rapazes percorreram as ruas da vila para “roubarem” os burros aos seus donos, durante a festa.

Na manhã de 26, a animação começou cedo com uma cavalgada com burros e com a saída da ciganada e das madamas. Nesta atividade, e de acordo com a tradição, os rapazes vestem-se de raparigas e as raparigas de rapazes.

Durante a tarde desse mesmo dia, celebrou-se uma missa em honra de Santo Estêvão, durante a qual se procedeu à bênção do pão.

A festa terminou com uma luta entre cristãos e mouros, que consistiu na simulação de lutas corpo a corpo. E no assalto ao castelo, que simboliza a derrota dos mouros.

A edição deste ano de 2019 ficou marcada pela elevada participação dos torreenses e pela presença centenas de espetadores.

Esta é uma tradição que tem sido mantida e estimulada pelos habitantes e pela Comissão de Festas de Santo Estevão, com o apoio da Junta de Freguesia de Torre de Dona Chama e da Câmara Municipal de Mirandela.

Fonte (texto adaptado e ampliado) 

Santo Estêvão, uma história de sangue que continua

Colocaram-no no calendário logo após o Natal, que, na verdade, não é propriamente uma festa toda feita de luzes, presentes e refeições a que estamos habituados, se pensarmos naquele nascimento num espaço obtido por sorte, no sanguinário massacre dos recém-nascidos de Belém, no “estatuto” de refugiados nos Egito da família de Jesus.

Estamos a evocar o diácono Estêvão e as linhas que lemos precisamente hoje, na liturgia de 26 de dezembro, escritas pelo evangelista Lucas na sua segunda obra: «Arrastaram-no para fora da cidade e lapidaram-no …

Enquanto o lapidavam, Estêvão orava e dizia: “Senhor Jesus, acolhe o meu espírito!”. Depois dobrou os joelhos e gritou em alto brado: “Senhor, não lhes imputes este pecado!”. Dito isto, morreu» (Atos 7,58-60).

Uma pote evidentemente modelada sobre a de Cristo, que igualmente tinha perdoado os seus crucificadores e invocado o Pai para que acolhesse a sua vida e o seu espírito.” Fonte