Propostas da gastronomia tradicional de Chaves (Aqua Flaviae)
Gastronomia de Chaves
A Gastronomia de Chaves é única e inigualável.
À medida que as refeições são cada vez mais de preparação rápida, em virtude da competitividade dos mercados e das exigências profissionais, em Chaves, poderá sentir os sabores requintados de que quase se havia já esquecido.
A ementa, regra geral, é variada e a escolha naturalmente difícil. No entanto, e mesmo estando certos de que independentemente da sua escolha a satisfação será atingida, destacamos alguns dos pratos que definem a região como sendo um paraíso tradicional a nível gastronómico.
O tradicional fumeiro para entrada, com destaque para as alheiras, o chouriço e o presunto (célebre por cá e por terras de além) ou o famoso Pastel de Chaves (com mais de 150 anos), produto com indicação geográfica reconhecida, de massa folhada tenra e estaladiça, recheado com um sublime refogado de carne de vitela.
O arroz de fumeiro, a feijoada à transmontana, o salpicão no borralho, os lombinhos de porco ou o cozido à transmontana, o cabrito, os milhos e a posta barrosã, são alguns dos pratos principais que destacamos, para que comece já a elaborar o seu portfólio de ricos sabores.
Acompanhe as suas refeições com a lista variada de vinhos da região e termine com umas rabanadas, o leite-creme, a aletria ou arroz doce.
Qualidade, sabor e textura fazem dos pratos da gastronomia de Chaves iguarias para mais tarde recordar.
Enfim, o melhor é passar um fim de semana em Chaves e provar tudo o que de bom esta região tem para lhe oferecer.
Apresentamos, aqui, algumas sugestões:
Arroz de Fumeiro

Cozem-se chouriço de cabaça, salpicão, linguiça e um bocado de pernil fumado. Guarda-se o caldo de cozedura das carnes.
Escolhem-se os melhores espigos, lavam-se e reservam-se.
Faz-se um estrugido com azeite e cebola picada e uma colher sopeira de colorau.
Partem-se as carnes anteriores em rodelas e colocam-se no estrugido, mas só quando a cebola estiver alourada.
Salpica-se com água da cozedura, tapa-se o tacho e deixa-se apurar.
Vai-se acrescentando com água e caldo da cozedura, tempera-se de sal e malagueta.
Quando tiver fervido algum tempo, escaldam-se os espigos e juntam-se-lhes.
Lava-se o arroz, para tirar a goma, colocando-se a cozer na calda anterior.
Mexe-se, tapa-se e deixa-se cozer.
Milhos

Lavam-se os milhos em bastantes águas para lhes tirar a casca.
Prepara-se um caldo com a cozedura de entrecosto e orelheira de porco pois “os milhos são muito gulosos“.
Faz-se um estrugido com azeite e uma cebola picada.
Quando a cebola começar a alourar, partem-se costelinhas, que previamente estiveram na “sorça”, e colocam-se no estrugido para também alourarem.
Vai-se juntando o caldo das carnes cozidas – “se estiver muito forte junta-se-lhe um pouco de água fervente” e parte-se aos bocados uma couve troncha, – “mais da parte carnuda e branca” – deixa-se apurar, retificando o sal.
Finalmente juntam-se com cuidado os milhos, que estavam reservados, mexe-se sempre até estarem cozidos e engrossarem, para não se agarrarem ao fundo da panela.
Os milhos servem-se quentes.
Pastel de Chaves IGP

Ao refogado adiciona-se a carne de vitela picada, que coze lentamente.
Por fim, junta-se o pão de trigo duro em pequenos pedaços, o que facilita a coesão e macieza.
Estende-se a massa até formar uma fina folha retangular, que se barra com uma gordura especial e se dobra em 3, processo repetido 3 vezes.
Por último, estende-se a massa e forma-se um rolo que é cortado em rodelas com 2-3cm de largura.
Abrem-se as rodelas de massa, coloca-se o recheio e dobram-se ao meio adquirindo a caraterística forma de meia-lua.
Rabanadas

Corta-se o pão de forma, ou cacete, duro, em fatias médias.
Mergulham-se em leite morno temperado de açúcar. Deixam-se amolecer.
Escorre-se o excesso de leite e passam-se por ovos caseiros batidos.
Fritam-se em azeite quente, deixando alourar. virando de um lado e de outro.
Depois de fritas colocam-se numa travessa comprida, polvilhando-se de açúcar e canela ou, como se comem no Natal, banhadas por uma calda, feita com açúcar, água, vinho fino, um pau de canela e um vidrado de laranja.
“O segredo das rabanadas está em deixá-las demolhar, quase a desfazerem-se, no molho de leite“.
Cozido à Transmontana

Cozem-se as carnes separadas, em lume brando, para não arrebentarem.
O salpicão com a linguiça e os chouriços com as sangueiras.
Noutro tacho, com um pouco de sal e dentes de alho, cozem-se a beiça de porco, ossos de assua, entrecosto e orelheira.
Vão-se tirando as carnes conforme estiverem cozidas e dentro deste caldo, c0ze a couve penca, cenouras, rabas e batata.
Esta cozedura amacia os legumes e as batatas.
Por fim, partem-se as carnes a gosto e decora-se a travessa com os legumes.

