A vida de São Cristóvão – o que “leva Cristo”

São Cristóvão

Cristóvão é um nome cristão ou cristianizado de uma personagem, que uns pretendem mítica e outros real, oriundo do grego cr°stoj f_rw, à letra o que “leva Cristo“.

No entanto, a antiguidade não lhe atribuía tal nome, mas antes o de Relicto, ou mais esporadicamente Ofero, Réprobo, Adócimo.

Quer na língua grega, quer na latina qualquer dos nomes é significativo: Ofero de Offero que, em latim significa: levar diante, apresentar, expor, oferecer, mostrar:

Réprobo de reprobus que significa de mau merecimento, de baixa condição, mas igualmente: duplamente de boas famílias, duas vezes bom, honesto, leal;

Adócimo de AdóKuoa que significa sem valor, de má qualidade.

Várias lhe são as origens atribuídas. De uma maneira geral fazem-no natural de Canaã, na Síria antiga. Mas logo a seguir, filiam-no num rei Cananeu, cuja esposa passaria longos e dolorosos passos para o dar à luz – o que o predestina a heroicidade e transcendência.

Teria seguido a carreira de armas, pelo menos enquanto mancebo, e incorporado as legiões de Gordiano, em luta contra os persas. No reinado do imperador Filipe converteu-se ao cristianismo, recebendo a água lustral da mão de S. Babilas, bispo de Antioquia.

A sua morte ocorre no ano de 258, imperando Dácio.

Segundo outros autores, a sua terra de origem era o país dos Cinocéfalos, isto é, dos seres que possuem cabeça de cão. O S. Cristóvão futuro começaria por ter cabeça de cão.

A versão mais conhecida da lenda

Porém, uma das versões da lenda mais conhecidas e desenvolvidas é a que surge na Légende Dorée de Jacques de Voragine.

Segundo ele, S. Cristóvão nascera na Cananeia, “il avait une taille gigantesque, un aspect terrible, et douze coudées de haut“. Não especifica se possuía sangue real ou não; afirma, porém, que “un jour qu’il se trouvait auprès du roi des Chananéens“, dominou-o a ideia se saber qual seria o maior príncipe do mundo para o servir.

Soube-o e para a sua corte se deslocou, tendo sido bem acolhido. Durante um sarau, o rei todo-poderoso, ao ouvir o jogral pronunciar o nome do diabo, persignava-se.

Isto levantou-lhe problemas. Tentando resolvê-los foi em demanda do diabo, que encontrou e serviu. Um dia ao passarem num caminho onde se elevava uma cruz, o diabo aterrorizou-se e desviou a via. Cristóvão mudou de companhia, por sua vez, e procurou Cristo.

Não se revelou fácil, acabando o futuro santo por encontrar um eremita que, além de pregações, lhe recomendou severos e frequentes jejuns. Tendo Cristóvão posto de lado a ideia, o eremita remeteu-o à oração. Mas como podia ele rezar, se o não sabia fazer? Quase desesperado, o eremita encontrou-lhe uma função: ali perto havia um vau.

Que Cristóvão ajudasse as pessoas que necessitavam de travessia a transpô-lo.

Cristóvão arranjou um bastão e lá cumpriu o seu dever, útil e salvador

Um dia apareceu por ali uma criancinha. Queria atravessar, mas como? Se ele o ajudasse…

Com o mundo às cavalitas…

Cristóvão não hesitou. Escarranchou-o às cavalitas, sobre os ombros, leve e ligeiro. Estranhou, todavia. Aquela criança começava a pesar mais que um adulto. Isto é, mais ainda do que um adulto.

A meio do vau até o rijo e rude bordão se encurvava e gemia. Quando finalmente surgiu a outra margem foi um alívio.

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