Cédula particular emitida pela CM de Viseu em 1921

Cédula particular

Durante a Primeira República, designadamente, após a entrada de Portugal na Grande Guerra, os Portugueses sofreram profunda crise económica e financeira, de tal modo séria que o Estado não dispunha sequer de meios para cunhar a moeda que havia de circular pelo nosso país.

Quando se comparam as primeiras moedas emitidas, de 1 escudo (1914), 50 centavos (1912), 20 centavos (1913) e 10 centavos (1916), todas de prata de 835%o, (25 gr., 12,5 gr., 5 gr., e 2,5 gr., respetivamente, com as cunhadas posteriormente, ficamos elucidados.

Em 1920, as de 20 e 10 centavos eram de cupro-níquel e, em 1918, a moeda de 2 centavos era de ferro.

Recorreu-se então ao papel para substituir os metais, por ser muito mais barato. A sua duração, porém, era incomparavelmente mais curta. Por isso, até estas notas faltavam.

Cédula particular emitida pela CM de Viseu em 1921

Câmaras Municipais e outras instituições imprimiram cédulas particulares

Para que a vida e os negócios pudessem continuar, sobretudo a partir de 1920, primeiro as câmaras municipais e logo a seguir, hospitais, misericórdias, associações comerciais, hotéis, grandes empresas, imprimiram moeda de emergência, as cédulas particulares, a que davam a garantia da sua seriedade e solidez, para poderem circular como se de moeda oficial se tratasse.

Houve mesmo algumas entidades particulares que cunharam moeda metálica, como foi o caso dos Grandes Armazéns do Chiado que, para além de Lisboa tinham delegações em cidades como Porto, Viseu, Tomar, Figueira da Foz, Évora, Coimbra, Beja, Faro, Santarém, Setúbal, Caldas da Rainha.

Cédula particular emitida pela CM de Viseu em 1921

A cédula particular que constitui a peça deste mês foi emitida pela Câmara Municipal de Viseu em finais de 1921; valia 5 centavos (meio tostão), pertence à 1.ª série destas emissões e tem o nº 17363, o que nos leva a concluir terem sido feitos muitos milhares delas, deste e de outros valores.

Coisas de um país de longa história que tem vivido de crise em crise…

Fonte