A tesoura das luvas de senhora rica

A tesoura das luvas

As senhoras ricas para certos momentos e situações usavam luvas a condizer com o fato dos grandes dias.

Para o povo simples e de mãos calejadas era uma admiração esta necessidade ou costume. Coisas de gente rica…

Nas nossas buscas recolhemos luvas de algodão, de renda, rendadas, brancas, cinzentas, castanhas, pretas. A partir de certa altura, apareceram também as de pelica, brancas, castanhas, pretas.

As mãos de certas senhoras eram muito elegantes, de pele e dedos bem fininhos. Por isso, os fabricantes iam produzindo luvas de mãos e dedos incrivelmente estreitos, a condizer com as exigências das suas clientes.

Porém, em alguns casos, os dedos das luvas eram de facto demasiado apertados.

Não falamos das de algodão, mas das de pele.

E por serem muitas e infrutíferas as tentativas para as calçar, era obrigatório recorrer a algo que as pudesse alargar.

Referimo‐nos a esta “tesoura” de madeira pensada para abrir quando fosse apertada. Bastava introduzi‐la na luva, apertar o bastante e as vezes suficientes, e pronto. Aí ficavam as luvas à medida dos desejos da sua utente.

No entanto, calçar e descalçar continuava a ser tarefa difícil e demorada.

Por isso, a etiqueta mandava que a senhora, ao contrário do homem, não devia descalçar as luvas para cumprimentar quem quer que fosse, ficando assim resolvida esta enorme dificuldade.

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