Concílio de Niceia, primeiro concílio ecuménico do cristianismo
O Concílio de Niceia (em latim Concilium Nicaenum, 325 d.C.) foi o primeiro concílio ecuménico do cristianismo, convocado pelo imperador Constantino I em Niceia, na Bitínia (atual İznik, Turquia). Reuniu bispos de todo o Império Romano para resolver disputas doutrinárias e estabelecer a unidade da fé cristã.
Factos-chave
- Data: 325 d.C.
- Local: Niceia (atual İznik, Turquia)
- Convocado por: Imperador Constantino I
- Presidido por: Os bispos, com influência de Osio de Córdoba
- Resultado principal: Formulação do Credo Niceno
Contexto e objetivos
O concílio foi convocado para enfrentar a controvérsia ariana, gerada pelas ideias de Ário, que negava a plena divindade de Cristo. Constantino, recém-convertido ao cristianismo, procurava garantir a coesão religiosa do império, ameaçada pela divisão teológica entre bispos.
Principais decisões
Os bispos aprovaram o Credo Niceno, declarando que o Filho é “da mesma substância” (homoousios) que o Pai, rejeitando assim o arianismo. O concílio também fixou normas para a data da Páscoa, reorganizou dioceses e tratou de questões disciplinares, como a readmissão de apóstatas.
Impacto e legado
O Concílio de Niceia marcou o início da tradição dos concílios ecuménicos e influenciou profundamente a teologia cristã. O seu credo tornou-se referência de ortodoxia para a Igreja Católica, Ortodoxa e muitas comunidades protestantes. A questão ariana, contudo, persistiu durante várias décadas, levando a novos concílios e debates teológicos.
Receção histórica
A historiografia reconhece Niceia como um momento decisivo na relação entre Igreja e Estado, simbolizando o apoio imperial à unificação da fé. O concílio é ainda hoje evocado como fundamento da doutrina trinitária e da autoridade conciliar no cristianismo.

