Efemérides para lembrar ou celebrar em Abril

 

No mês de Abril, sugerimos estas efemérides para lembrar ou mesmo celebrar, se for o caso disso.

Dia 1 (1997) – Portugal assume pela segunda vez a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas;

Dia 2 (1976) – Portugal passa a ter uma Constituição democrática socialista;

Dia 3 (1987) – Em Portugal uma moção de censura proposta pelo PRD (Partido Renovador Democrático) é aprovada por 134 votos contra 108, o que provoca a queda do governo minoritário de A. Cavaco Silva;

Dia 4 (1913) – Golpe Militar de Machado dos Santos, um dos fundadores da República Portuguesa;

Dia 5 (1896) – É inaugurado o Túnel do Rossio, em Lisboa, com a chegada da primeira locomotiva a vapor;

Dia 6 (1941) – A Alemanha envia um ultimato à Jugoslávia e à Grécia; a Inglaterra envia 60 mil homens para a Grécia;

Dia 7 (1926) – Primeira de várias tentativas para assassinar Mussolini;

Dia 8 (1989) – Mário Soares, presidente da República Portuguesa, é recebido no Vaticano por João Paulo II e debatem a futura visita do Papa a Timor-Leste;

Dia 9 (1918) – Até dia 29. Batalha de La Lys, na Flandres, na qual os portugueses sofrem um grande revés;

Dia 10 (1664) – Em Quarta-feira de Endoenças, D. Afonso VI, Rei de Portugal, celebra o ofício de lava-pés e serve à mesa os pobres, visitando, à noite, muitas igrejas de Lisboa;

Dia 11 (1927) – Início da ditadura de Carlos Ibáñez, no Chile;

Dia 12 (1960) – Acórdão do Tribunal Internacional de Justiça, com sede em Haia, favorável, no fundamental, ao ponto de vista português no seu litígio com a Índia relativamente aos enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli;

Dia 13 (1961) – Golpe militar frustrado, em Portugal, dirigido pelo ministro da Defesa, general J. Botelho Moniz;

Dia 14 (1998) – Rosa Casaco (agente da ex-PIDE/DGS) é preso em Madrid, quando se preparava para levantar dinheiro num banco;

Dia 15 (1927) – Chang Kai-Chek organiza o governo de Hancheu;

Dia 16 (1998) – António Guterres vai de visita durante três dias à China e a Macau, tendo o território estado recentemente sujeito a incidentes algo violentos;

Dia 17 (1988) – O Presidente da República Portuguesa Mário Soares visita oficialmente a RFA (República Federal Alemã) durante uma semana;

Dia 18 (1925) – Pronunciamento militar em Portugal contra a ineficácia dos partidos políticos;

Dia 19 (1911) – Lei da separação da Igreja do Estado, por proposta de Afonso Costa;

Dia 20 (1570) – Realiza-se, pela primeira vez, a Procissão de Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa, como acção de graças por ter terminado a peste no Reino;

Dia 21 (1989) – Em Lisboa, uma manifestação de polícias que lutam pela legalização do seu sindicato é reprimida pelos próprios colegas em serviço; são detidos seis agentes;

Dia 22 (1500) – Data oficial da descoberta do Brasil pela Armada Portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral;

Dia 23 a 30 (1942) – Bombardeamentos aéreos alemães frequentes sobre a ilha de Malta, enquanto são enviados reforços para o general Rommel, no Norte de África;

Dia 24 (1990) – Em Évora, sob os auspícios do Governo português, encontram-se, pela primeira vez, os representantes do Governo angolano (MPLA) e a UNITA;

Dia 25 (1974) – Em Portugal eclodiu a «Revolução dos Cravos», um movimento militar, que pôs termo ao regime vigente há quase cinquenta anos: causou seis vítimas mortais;

Dia 26 (1994) – O Governo português revela a descoberta de um microfone de escuta no gabinete do procurador-geral da República;

Dia 27 (1923) – Naufrágio do barco português Moçâmedes, ao largo das costas de África, causando a morte a 237 pessoas;

Dia 28 (1941) – Grande manifestação em Lisboa de apoio à política de Salazar, relativamente à condução do país durante a Segunda Guerra Mundial;

Dia 29 (1955) – Eleição de Giovanni Gronchi para presidente da Itália;

Dia 30 (1998) – O PSD deu na Assembleia da República início a um inquérito parlamentar às relações entre os grandes grupos económicos (Sonae e Grupo Espírito Santo) e o Governo de então;

No mês de Abril nasceram ou morreram as seguintes personalidades:

No dia 16 de Abril de 1908, nasceu António Lopes Ribeiro – (Lisboa, 16.04.1908 – 14.04.1995) Cineasta. Estreou-se em 1925 como crítico e assistente de realização. Co-fundador da revista Imagem (1928) e do jornal A Bola, dirigiu os semanários Kino (1930), e Animatógrafo (1933 e 1940) e os jornais de actualidades cinematográficas Jornal Português e Imagens de Portugal. Em 1941 lançou uma empresa produtora, à qual se deve o filme de Manuel de Oliveira Aniki-Bobó. Na realização estreou-se com o documentário Bailando ao Sol, 1928.

É autor de mais de 40 curta-metragens e de oito longas-metragens: Gado Bravo, 1934, A Revolução de Maio, 1937, Feitiço do Império, 1940, O Pai Tirano, 1941 (uma das mais logradas comédias portuguesas), Amor de Perdição, 1943, A Vizinha do Lado, 1945, Frei Luís de Sousa, 1949, e O Primo Basílio, 1959. Na televisão foi responsável, durante vários anos, por programas relacionados com a história do cinema. Exerceu paralelamente a crítica, o ensaio e o jornalismo, tendo dado a lume os volumes de crónicas Esta Pressa de Agora, 1964, e Anticoisas e Telecoisas, 1971. Saber mais.

No dia 14 de Abril de 1909, nasceu Joaquim Soeiro Pereira Gomes – (Gestaçô, Baião, 14.04.1909 – Lisboa, 06.12.1949) – Escritor. Concluído em 1930 o curso de regente agrícola em Coimbra, partiu para África, onde exerceu a profissão durante um ano. Fixou-se depois em Alhandra como empregado de escritório numa fábrica de cimento, participando activamente na vida operária como animado de comícios. Escreveu contos e romances, tendo apenas publicado Esteiros, 1941. É um dos iniciadores da ficção neo-realista em Portugal. Saíram póstumos o romance Engrenagem, e os volumes de contos Refúgio Perdido e Contos Vermelhos. Saber mais.

No dia 28 de Abril de 1910, nasceu Francisco Keil do Amaral – (Lisboa, 28.04.1910 – Lisboa, 19.02.1975) – Arquitecto. Formou-se em Arquitectura na Escola Nacional de Belas Artes de Lisboa. Foi arquitecto urbanista da Câmara Municipal de Lisboa, tendo-se dedicado à criação e à renovação de parques e jardins públicos. É autor de edifícios no Aeroporto de Lisboa, no Parque Florestal de Monsanto e na União Eléctrica Portuguesa.

Foi galardoado com a medalha de ouro da Exposição Internacional de Paris de 1937, com o seu Pavilhão de Portugal, com o Prémio Municipal de Arquitectura, Prémio Diário de Notícias (1960) e Prémio Valmor. Entre outras obras, publicou: A Arquitectura e a Vida, 1942, O Problema da Habitação, 1945, Lisboa, Uma Cidade em Transformação, 1969, e História à Margem de Um Século de História, 1970. Saber mais.

No dia 15 de Abril de 1919, nasceu Fernando Namora – (Condeixa-a-Nova, 15.04.1919 – Lisboa, 31.01.1989) – Escritor. Licenciado pela Faculdade de Medicina de Coimbra. Exerceu clínica na sua terra natal, na Beira Baixa e no Alentejo, e foi assistente no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa. Estreou-se nas letras com o volume de poemas Relevos, 1933. O seu terceiro livro de poesia (Terra, 1941) iniciou a colecção «Novo Cancioneiro», órgão do neo-realismo.

Publicou ainda Nome para Uma Casa, 1982. Com o romance As Sete Partidas do Mundo, 1938, obteve o Prémio Almeida Garrett. Além de poesia e romances, publicou contos, novelas, memórias, narrativas de viagens e biografias romanceadas. Obras principais: Casa da Malta, 1945, Minas de S. Francisco, 1946, Retalhos da Vida de Um Médico, 1949-1963 (em dois volumes), Domingo à Tarde, 1961 (Prémio José Lins do Rego), Rio Triste, 1982 (galardoado com três prémios) e Sentados na Selva, 1986. Saber mais.

No dia 19 de Abril de 1903, morreu o 4º Conde de Ficalho – (27.07.1837 – 19.04.1903) – Cientista e professor universitário. Filho único dos 2.os marqueses de Ficalho, chamava-se Francisco Manuel de Melo Breyner. Foi mordomo-mor da casa real, gentil-homem da câmara de D. Luís e de D. Carlos e par do reino (1881). Concluiu em 1860 o curso na Escola Politécnica, onde regeu a cadeira de Botânica desde 1864, passando a professor catedrático a 27.02.1890. Dirigiu o Instituto Agrícola e deu grande impulso ao Jardim Botânico de Lisboa.

Fez parte do célebre grupo dos Vencidos da Vida. Foi dos vultos cimeiros da sociedade portuguesa do seu tempo, o «mais brilhantemente completo», no juízo de Ramalho Ortigão. Publicou trabalhos científicos e históricos, como Apontamentos para o Estudo da Flora Portuguesa, 1875, Flora dos Lusíadas, 1880, Plantas Úteis da África Portuguesa, 1884, Flora dos Lusíadas, Garcia de Orta e o Seu Tempo, 1886, e Viagens de Pêro da Covilhã, 1898. Saber mais.

No dia 24 de Abril de 1917, morreu Abel Botelho(Tabuaço, 23.09.1856 – Buenos Aires, 24.04.191) – Militar e escritor. Aluno do Colégio Militar desde 1867, concluiu em 1878 o curso do Estado-Maior e atingiu o posto de general. Implantada a República, foi deputado, senador e ministro de Portugal na Argentina. Jornalista, deu vasta colaboração a jornais como O Dia, Ocidente e Ilustração. Publicou em 1885 o seu primeiro livro com o nome Lira Insubmissa, e em 1898 o livro de contos Mulheres da Beira.

Um dos seus melhores romances é Amanhã, 1901, o primeiro na literatura portuguesa em que o proletariado surge como personagem colectiva. Este romance é o terceiro dos cinco que constituem a série Patologia Social, 1898-1910, graças à qual se tornou, em Portugal, o mais característico representante do naturalismo ou realismo exagerado. O mesmo se verifica na sua obra teatral, por exemplo em Jucunda, 1889, e Claudina, 1890, em que ele se compraz no desenho de certas personagens mórbidas. Saber mais.

No dia 26 de Abril de 1916, morreu Mário de Sá-Carneiro – (Lisboa, 19.05.1890 – Paris, 26.04.1916) – Morreu-lhe a mãe aos dois anos e meio e a avó aos nove anos. Matriculou-se em 1911 na Faculdade de Direito de Coimbra, mas não concluiu o ano. Em 1912 deu a lume a peça em três actos Amizade (de colaboração com Tomás Cabreira Júnior) e o volume de novelas Princípio. No mesmo ano estabeleceu uma profunda amizade com Fernando Pessoa e conviveu com os futuros elementos da revista Orpheu.

Em 13.10.1912 partiu para Paris e inscreveu-se num curso de Direito. Em Junho de 1913 regressou a Lisboa e editou a narrativa a Confissão de Lúcio o conjunto de poemas Dispersão, 1914. Por meados de 1914 voltou para Paris, onde uma crise psíquica o levou ao suicídio. Entretanto publicou o conjunto de novelas Céu em Fogo, 1915. Obras póstumas: o seu segundo volume de poemas intitulado Indícios de Ouro, 1937, e Cartas a Fernando Pessoa, 1958-1959, em dois volumes.

Dois temas fundamentais da sua poesia: o drama da soledade inevitável e a tragédia da grandeza quimérica perdida. Carente afectivo, reduziu o amor à exaustão das sensações buscadas até aos estados alucinatórios, daí resultando uma insatisfação desesperada e o desengano irreversível dos caminhos trilhados que o arrastavam. Saber mais.