Festas de Nossa Senhora do Cabo Espichel

Festas de Nossa Senhora do Cabo Espichel

«Os círios constituem uma das tradições que melhor caracterizam a identidade religiosa e cultural do povo português, razão pela qual se deveria desenvolver um esforço com vista à recuperação da sua grandeza de outros tempos.» (Dr. Carlos Gomes)

Entre os próximos dias 7 e 15 de Outubro de 2017, a Paróquia de São Lourenço de Arranhó vai estar em festa. Recebe, e acolherá durante um ano, a Imagem de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Torna-se, assim, palco de uma das festas mais antigas de Portugal.

O Círio foi apelidado de “Círio dos Saloios”. Isto porque acontece no tecido social e religioso da zona saloia – correspondente ao antigo Termo de Lisboa. Mas também é conhecido como “Círio do Bodo” e “Círio Real”.

Deve esta última designação ao facto de, especialmente no século XVIII, ter sido honrado com a participação, o carinho e os donativos da Família Real portuguesa, atingindo assim o expoente máximo da sua grandeza.

Desde que foi criado, em 1430, o giro do “Círio dos Saloios” percorria 30 Freguesias, permanecendo um ano em cada uma delas, e assim se manteve até aos princípios do século XVIII.

A primeira vez que visitou Arranhó foi no ano de 1447. Aqui retornou até 1716, ano em que esta freguesia desistiu de participar no giro do Círio. Na mesma época mais três freguesias também desistiram e, actualmente, apenas 26 compõem o giro.

Quis Deus, e a história desta Romaria, que neste ano de 2017, passados 300 anos da sua última participação neste Círio, Arranhó pudesse reentrar para o giro do Círio em substituição de uma outra Freguesia.

Tradição portuguesa

A propósito desta tradição, escreve o Dr. Carlos Gomos, historiador, no seu texto intitulado “Os Círios na tradição portuguesa”:

«(…) Costume antiquíssimo que também tinha lugar durante o mês de Agosto e que quase desapareceu, em grande medida em consequência de fanatismos políticos que tiveram o seu tempo.

Consistia na organização dos círios à Senhora do Cabo que se encontra num templo situado no Cabo Espichel, à Senhora da Nazaré e à Senhora da Atalaia. Eram sempre muito concorridos de gente nomeadamente das localidades ao redor de Lisboa.

O círio à Senhora do Cabo que se realizava desde 1430 era organizado por uma confraria que chegou a reunir trinta paróquias, incumbindo a cada uma delas organizar anualmente o respectivo círio. “