O Tratado de Alcanizes foi assinado a 12 de setembro de 1297
O Tratado de Alcanizes, assinado a 12 de setembro de 1297, foi um marco fundamental na definição das fronteiras entre Portugal e o Reino de Leão, parte da Coroa de Castela.
Este tratado, celebrado entre o rei D. Dinis de Portugal e o rei Fernando IV de Leão e Castela, teve grande importância geopolítica e consolidou os limites territoriais do reino português, muitos dos quais permanecem até aos dias de hoje.
Contexto histórico
Para compreender a importância do Tratado de Alcanizes, é essencial analisar o contexto histórico que levou à sua celebração.
Durante os séculos XII e XIII, a Península Ibérica foi palco de constantes disputas territoriais entre os reinos cristãos emergentes, nomeadamente Portugal, Leão, Castela, Aragão e Navarra.
A Reconquista, isto é, a luta contra os muçulmanos que dominavam grande parte da península, era o foco principal, mas as rivalidades entre os próprios reinos cristãos não podiam ser ignoradas.
Portugal, desde a sua fundação em 1143, lutava pela consolidação das suas fronteiras.
O Tratado de Badajoz, assinado em 1267 entre D. Afonso III de Portugal e Afonso X de Castela, já havia estabelecido algumas delimitações, nomeadamente a posse do Algarve por Portugal. No entanto, conflitos posteriores, especialmente após a morte de Afonso X, resultaram em novas tensões territoriais.
A celebração do Tratado
As negociações entre Portugal e Castela foram longas e difíceis.
Em 1295, D. Dinis tomou a iniciativa de negociar um acordo definitivo com Castela para assegurar a estabilidade e a paz na região. O tratado foi finalmente assinado na vila de Alcanizes, situada na atual província espanhola de Zamora.
O Tratado de Alcanizes garantiu a Portugal a posse de várias localidades que estavam sob disputa, incluindo Miranda do Douro, Alfaiates, Sabugal, Castelo Rodrigo, Almeida e Castelo Melhor. Estes territórios eram estratégicos, pois reforçavam a defesa da fronteira oriental do reino. Em troca, Portugal renunciou a quaisquer reivindicações sobre territórios em Leão e Castela.
O tratado também previa alianças matrimoniais entre as duas coroas, com o objetivo de fortalecer as relações dinásticas e evitar futuros conflitos. Assim, foi acordado o casamento da infanta Beatriz de Portugal com o rei Fernando IV de Castela.
Consequências do Tratado
A principal consequência do Tratado de Alcanizes foi a estabilização das fronteiras de Portugal, garantindo ao reino uma posição geopolítica segura e reconhecida internacionalmente. Foi um dos tratados mais importantes da Idade Média, pois estabeleceu uma das fronteiras mais antigas e estáveis da Europa.
Outro impacto significativo foi o fortalecimento do poder régio de D. Dinis, que ficou conhecido como o “Rei Lavrador” e “Rei Poeta“. A sua administração promoveu o desenvolvimento agrícola, a organização da justiça e a centralização do poder, garantindo a autonomia e estabilidade do reino.
No campo militar, o tratado permitiu a Portugal concentrar-se na defesa da fronteira e na consolidação interna, sem o risco iminente de uma guerra com Castela. Isto possibilitou um período de prosperidade e crescimento económico, que foi essencial para a afirmação do país nos séculos seguintes.
Conclusão
O Tratado de Alcanizes representou um momento crucial na história de Portugal, garantindo-lhe fronteiras estáveis e reconhecidas internacionalmente.
Assinado num período de grande instabilidade na Península Ibérica, demonstrou a capacidade diplomática de D. Dinis e assegurou a independência do reino face às pressões castelhanas.
A sua relevância perdura até aos dias de hoje, uma vez que a fronteira definida pelo tratado continua praticamente inalterada, sendo uma das mais antigas da Europa.
Assim, Alcanizes não foi apenas um tratado de paz, mas um pilar na construção da identidade e soberania de Portugal.

