Uma das grandes vítimas do Natal – os porcos!

Matança do porcos no Natal

Um dos pontos mais importantes do programa das festas do Natal é o da matança dos porcos.

Nas grandes cidades não se dá por isso. Os cevados aparecem dependurados às portas dos talhos, sem alvoroço para as famílias, sem nos terem incomodado com os gritos estrugidores da sua agonia, sem nós fazermos ideia de quanto eles custaram a criar e a engordar.

Por todas essas províncias, não há casal por mais pobre, que não tenha pelo menos um porquinho, que se trata com o maior cuidado para no Natal estar grande e nédio e poder fornecer, além das morcelas e dos torresmos para os dias de festas, carne de fumeiro e toucinho de salmoura, que às vezes duram até ao outro Natal.

E é um dia de juízo o da matança do porco.

Ainda de noite preparam-se os alguidares para lhe aparar o sangue, picam-se montes de cebolas greladas para as morcelas, arruma-se a carqueja bem seca para o chamuscar, repassa-se outra vez o fio da faca, uma infinidade de preparativos, e o grunhir aflitivo do animal, ao ser arrastado para a mesa do sacrifício, não consegue comover ninguém.

Uma das grandes vítimas do Natal – os porcos!
No Natal – Factoreando as vítimas nas vésperas do suplício. (Cliché João Magalhães)

Fonte: “Ilustração Portuguesa” – nº357 – 23 de Dezembro de 1912 (texto editado e adaptado)

O Porco no Rifoneiro Português

Ao longo dos tempos, o povo elaborou um conjunto de expressões, rifões, provérbios ou ditos populares, sobre o porco.

Se quiser, pode ficar a conhecer alguns provérbios sobre o porco, sistematizados em três grupos,

1.- Economicamente, o porco é um tesouro, um bom negócio, uma exigência

2.- O reco, na práxis, é um livro aberto, biológica e moralmente

3.- O porco na culinária

Os provérbios foram recolhidos e sistematizados por Mons. Salvador Parente Ribeiro. O trabalho foi apresentado no Encontro «Saber Trás-os-Montes» – 10 e 11 de Outubro de 1996, promovido pelos Serviços de Cultura da Câmara Municipal de Vila Real,