A história de Arlequim | Verdade ou lenda?

Arlequim

Todos conhecem essa personagem de comédia que nos vem de Itália: o Arlequim!

Ele usa uma roupa composta de pequenos pedaços triangulares de estofo, uma máscara e uma espada de madeira que lhe pende à cintura.

Esse vestuário é um dos ornamentos mais originais; ignora-se, porém, a sua procedência.

Foi, ao que parece, a amizade que o inventou, segundo refere a lenda que vamos narrar.

Numa pequena cidade de Itália, chamada Bérgamo, berço de Maffei, de Donizetti e de Tiraboschi, vivia um estudante, que se distinguia tanto pela excelência do seu carácter quanto pela vivacidade do seu espírito.

Arlequim (tal era o seu nome) constituía o orgulho dos pais e dos mestres. Todos os seus colegas o estimavam.

Não invejavam os progressos do camarada dado que Arlequim, tão instruído quanto modesto, ignorava a sua superioridade em relação aos companheiros de estudo.

Era, então, costume oferecer um vestuário novo aos meninos na época do Carnaval.

Como esse prazer somente se lhes proporcionava uma vez por ano, pode-se imaginar a impaciência com que esperavam essa festa.

Durante muito tempo, as crianças discutiam a vestimenta que se lhes preparava.

O tecido, a cor, a forma, tudo era longamente discutido durante as brincadeiras.

Arlequim permanecia alheio a esses comentários.

E qual será a cor da tua roupa? perguntou-lhe um dos seus amigos.

Não terei nenhuma. Meus pais são pobres…

Essa resposta afligiu os estudantes seus amigos, pois viam que o dia de júbilo para todos seria de tristeza para o mais querido de entre eles.

E os seus jovens corações se sensibilizaram.

Prova de amizade

De acordo, porém, com a ideia sugerida por um dos rapazes, ficou resolvido que cada qual traria de casa um pedaço de pano de que se devia fazer a sua roupa.

E, no dia seguinte, apresentaram a Arlequim essa oferta.

Notaram, contudo, uma circunstância, em que não tinham ainda pensado, isto é, a diversidade dos tons desses estofos.

Mas Arlequim, observando-lhes o embaraço, bondosamente os tranquilizou, afirmando-lhes que o presente lhe causava verdadeiro prazer, e que era aos seus olhos tanto mais precioso quanto cada pedaço do seu vestuário lhe lembraria um amigo.

Chegado o dia de Carnaval, vestiu a roupa, cobriu o rosto com uma máscara preta, pôs à cabeça um chapéu de feltro cinzento, ornado de uma cauda de coelho, cingiu um sabre de pau e percorreu a cidade, saltando e dançando.

 

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Nota curiosa

Sendo a roupa de Arlequim composta de pedaços de tecidos de muitas cores, pensou-se que essa palavra qualificaria devidamente um homem político de opiniões mutáveis.

Fonte: “Ilustração Católica“, nº327, 9 de Junho de 1928 (texto editado e adaptado) | Imagem