O roubo da Mona Lisa a 21 de Agosto de 1911

Mona Lisa é a obra-prima de Leonardo da Vinci (77x 53 cm), pintada em Florença, entre 1503 e 1506.

O modelo foi Mona Lisa, a segunda mulher de Francisco de Giocondo e, por isso, este quadro é também conhecido por A Gioconda.

O sorriso nos lábios de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, é justificadamente famoso e foram já muitos os que se interrogaram a respeito do seu significado.

Pelo menos numa ocasião este famoso sorriso teve motivos para parecer misterioso, porque desapareceu, causando uma tremenda agitação em todo o mundo.

“O culpado, o verdadeiro culpado foi Napoleão!”

No dia 21 de Agosto de 1911, um dos funcionários da manutenção do Museu do Louvre reparou que a Mona Lisa não se encontrava no seu lugar habitual.

Era frequente retirarem a pintura para ser fotografada e, por isso, o funcionário não ficou minimamente preocupado. Até brincou com os colegas:

Não se preocupem! Fui eu quem ficou com a Mona Lisa. Assim, ninguém a rouba! Em minha casa está muito mais segura!

Na manhã seguinte, o inspector Poupardin, responsável pelos guardas do Louvre, também deu por falta do quadro, mas pensou que o tinham retirado para o fotografar.

Um pouco mais tarde, o pintor Louis Beroud, que terminava um quadro representando a galeria que abrigava a obra-prima, quis saber onde ela se encontrava.

Mas, afinal, quem tem a Mona Lisa? Preciso que ela esteja no seu lugar para concluir o meu trabalho! – insistia o pintor.

Esteja descansado que eu próprio me encarregarei de lha trazer.- asseverou o inspector Beroud.

E, rapidamente, dirigiu-se ao estúdio do fotógrafo, que ficava na ala oposta.

O tempo foi passando, passando, e o chefe dos guardas sem voltar.

Até que, quase às 13 horas, o inspector Poupardin surge abruptamente à entrada da galeria, berrando a plenos pulmões:

Roubaram a Mona Lisa! Roubaram a Mona Lisa!

A notícia caiu que nem uma bomba nas redacções dos jornais.

O público parisiense, profundamente apaixonado pelos seus tesouros artísticos, entrou em estado de choque perante crime tão monstruoso.

Muitos recusaram-se a acreditar:

Ora, ora! Isto é mais uma brincadeira! O que eles querem é vender jornais! – defendiam alguns.

Uhm! Isto deve ser para embaraçar algum funcionário, é o que é! – sustentavam outros.

A Mona Lisa estava mesmo desaparecida

Fosse como fosse, a verdade é que o quadro estava mesmo desaparecido e o director do Museu não teve outro remédio senão chamar o prefeito da Polícia.

De imediato, teve início uma sistemática busca ao Louvre, tarefa verdadeiramente ciclópica.

Quando o Museu fora aberto pela primeira vez, em 1793, continha apenas 155 objectos mas agora, porém, cobria 19 hectares e abrigava mais de 500 000 peças.

No subsolo, possuía um verdadeiro labirinto de salas de armazenamento. Era como procurar uma agulha num palheiro

A revista L’Illustration ofereceu uma recompensa de 40 000 francos pela devolução do quadro e o Paris-Journal ofereceu mais 50 000 francos. Mas em vão. A Mona Lisa continuava sem aparecer.

Entretanto, a polícia francesa conseguiu reconstruir o roubo.

O ladrão escondera-se no edifício durante a noite e, de manhã antes de andarem por lá muitos guardas, retirara o quadro da parede, levando-o para um dos armazéns. Aí desmontara a tela e deixara ficar a moldura.

A seguir, desapertara um ferrolho para passar uma porta e deparara com um canalizador. Este pensara que se tratava de um outro trabalhador que se perdera e indicou-lhe a saída do edifício.

Paris manteve-se em perfeito estado de sítio durante vários meses. Toda a gente tinha teorias a respeito do roubo.

Havia quem pensasse que o quadro fora roubado por um estudante de arte apaixonado pelo rosto de Gioconda. Outros diziam que fora destruído por um lunático.

Passaram dois anos antes de aparecer a obra-prima.

O aparecimento da obra de Leonardo da Vinci

Até que, no dia 10 de Dezembro de 1913, um negociante italiano de arte recebeu um bilhete oferecendo-lhe a Mona Lisa.

A princípio, ficou tentado a tratar do assunto como se fosse uma brincadeira, mas depois mostrou o bilhete ao seu amigo Giovanni Poggi, conservador da Galeria Uffizi. Decidiram encontrar-se com o autor do bilhete, um jovem alto e magro chamado Vincenzo Peruggia.

Este levou-os a sua casa, tirou um embrulho de debaixo da cama e apresentou o famoso quadro.

Denunciado às autoridades italianas, Peruggia foi detido e levado a tribunal. Perante o juiz, e quando instado acerca do motivo do seu acto, respondeu:

Saiba Vossa Excelência, senhor doutor juiz, que estou inocente. O culpado, o verdadeiro culpado foi Napoleão, que saqueou a Itália e roubou aquilo que é nosso. Eu só quis fazer justiça!

Vincenzo Peruggia foi considerado culpado e condenado a um ano e quinze dias de prisão e o quadro foi devolvido à França.

Muitos anos mais tarde, o jornalista Karl Decker revelou mais pormenores sobre este caso.

Segundo ele, o roubo foi ardilosamente preparado pelo pretenso marquês Eduardo de Valfierno, um hábil pintor, e levado a cabo por Vincenzo Peruggia e pelos irmãos Lancelotti.

Com a notícia do roubo, entretanto, foram reproduzidas por Valfierno centenas de cópias, sendo cada uma vendida como se fosse o original!

Valfierno, anos antes, contara esta história ao jornalista, mas com a condição de a divulgar só depois da sua morte, que ocorreu em 1931.

Fonte: “Um século em histórias” (texto editado e adaptado) | Imagem