António de Spínola nasceu no dia 11.04.1910

António Sebastião de Spínola

António de Spínola nasceu em Santo André, Estremoz, a 11 de Abril de 1910, e faleceu em Lisboa, a 13 de agosto de 1996.

Foi o primeiro presidente da República Portuguesa, entre 15 de Maio de 1974 a 30 de Setembro de 1974, do regime saído da revolução do 25 de Abril de 1974.

Foi escolhido pela Junta de Salvação Nacional que assumiu o poder por indicação do Movimento das Forças Armadas.

Em 1928 ingressou na Escola do Exército, e em 1.11.1933 foi promovido a alferes de cavalaria.

Notabilizou-se no desporto hípico e durante anos dirigiu a Revista de Cavalaria. Teve acção brilhante no comando do Batalhão de Cavalaria n.° 345, que combateu em Angola de 1961 a 1963.

Distinguiu-se, particularmente, no exercício do cargo de governador da Guiné (1968-1973). Procurou contrabalançar a influência crescente do PAIGC através de uma política de criação de instituições locais dotadas de alguma autonomia.

Nomeado vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas em 17 de Janeiro de 1974, publicava no mês seguinte um livro controverso, “Portugal e o Futuro”. Neste, preconizava uma solução política e não militar para o impasse da guerra colonial, num institucional federalista.

Foi demitido do cargo, juntamente com Costa Gomes, que exercia as funções de chefe do mesmo Estado-Maior. Mas foi a ele que Marcelo Caetano recorrerá para entregar o poder que o Movimento das Forças Armadas acabava de lhe arrebatar em 25 de Abril de 1974.

Após o 25 de Abril de 1974

Inicialmente, era apoiado incondicionalmente por uma facção do Exército. Mas, em breve, porém, suscitou a animosidade das restantes facções das forças armadas. Isto devido à sua tentativa de concentração de poderes por via referendária, com o apoio do primeiro-ministro do I Governo Provisório, Palma Carlos.

Ao nomear Vasco Gonçalves primeiro-ministro do II Governo Provisório, começa a perder terreno para a comissão coordenadora do MFA.

A 27 de Julho, em declaração histórica, reconhece pela primeira vez o direito à independência dos povos das colónias, abandonando assim a sua tese federalista.

A 28 de Setembro, porém, vê-se obrigado a ceder às pressões dos sectores mais progressistas do MFA, aceitando desmobilizar uma manifestação de apoio que forças conservadoras haviam organizado.

Esgotada a sua margem de manobra, decide demitir-se, a 30 de Setembro, num discurso em que previne o País contra a ameaça de novas formas de totalitarismo.

Em 11 de Março de 1975 aparece à frente de uma tentativa frustrada de tomada do poder, que o leva a fugir para Espanha e depois para o Brasil, onde vem a fundar, pouco depois, o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), com que procurará influir no curso dos acontecimentos políticos ao longo do ano de 1975.

Após o 25 de Novembro, regressa a Portugal e é reintegrado nas forças armadas, na situação de reserva. Em 1981, juntamente com Costa Gomes, é promovido a marechal. [A. R.]

Fontes: Dicionário Enciclopédico da História de Portugal – vol.1 (texto editado, adaptado e ampliado) | Imagem