Caminho do Noroeste – Caminhos de Santiago

Caminho do Noroeste

Com início no Porto, Moreira da Maia, Vilar do Pinheiro, Mindelo, Azurara, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, seguindo-se depois para… Esposende, Viana do Castelo, Vila Praia de Ancora, Moledo, Caminha, Seixas, V.N. de Cerveira e Valença.

Apúlia e o seu rancho folclórico, vestido com as célebres “branquetas” que mais parecem um «saium» romano! Fão, Ofir (o «resort» turístico por excelência da “Costa Verde”), Esposende e Correia de Oliveira.

Não havia ponte e os peregrinos iam até à Barca do Lago, para atravessar o rio (a travessia era assegurada pela confraria da Senhora do Lago (1572).

Num acórdão de 22 de dezembro de 1640 a Câmara da Vila de Esposende requeria que os barqueiros de Gemeses não extinguissem “(…) em topo o tempo he numque em tempo algum cousa tam amtjga he de tamta carjdade como he pasar haquela barca de Llago de nojte e de dja“.

Depois, aparece-nos Belinho, Castelo do Neiva, o convento beneditino de S. Romão do Neiva (pousada de peregrinos de Santiago), Anha, Darque e Viana à vista!

Vamos pelo Cais Novo, até à pequenina Capela de S. Lourenço que parece flutuar (é maré-cheia); vamos passar pelo “portinho” no velho estradão que ligaria Viana pela “ponte de pau”!

Percorremos já a velha, também, Ponte Eiffel que em 1978 comemorou 100 anos!

Viana da Foz do Lima, de Caminha. É Viana, a Notável. Viana do Minho. De Santiago.

Chegada a Viana do Castelo

Viana do Castelo – cidade feita por D. Maria II: “(…) hei por bem e me apraz que a Vila de Viana do Minho fique erecta em cidade, com a denominação de Cidade de Viana do Castelo e que nesta qualidade goze de todas as prerrogativas que direitamente Ihe pertencerem“.

Viana do Castelo… de Santiago, «como a Capela de Santa Catarina ficou dentro das muralhas foi posteriormente dedicada a Santiago, padroeiro de Espanha, e para os mareantes foi construída nova capela de invocação tradicional de Santa Catarina a montante do Castelo».

Viana dos peregrinos!

Recebê-los em casa «sua» que João Paes, o Velho, instituiu em 1468. Hospital de Peregrinos, de refrigério e amor pelos caminheiros de Santiago, na quina da rua do seu nome, no topo do velho bairro «dos mareantes» – do Fagundes, do Pedro Tourinho, do Caramuru, do Pero Galego! Hoje, Oficina de Turismo da cidade!

Já passamos Areosa, Montedor, Afife; três silvas, três rosas, três clarões de sol … nesta manta de farrapos, de leiras e leirotas a que chamam «veiga»!

Depois, o Forte do Cão e o pinhal da Gelfa, a Rainha D. Amélia e o Sanatório, Gontinhães e a linda praia a que vulgarmente chamam Praia das Crianças e que lhe determinou o rumo turístico – Vila Praia de Âncora.

A seguir Moledo – a aristocrata praia. Ao largo, sisudo, o Forte da Ínsua, que D. Manuel na sua passagem para Santiago, terá reconstruído. Fico-me com Raúl Brandão e o fascínio da água e da luz, o pinhal do Camarido, Santa Tecla, Caminha, a bela marinheira, os pescadores, o rio!

Depois… devagar que começa Seixas!

Curiosa tradição…

E os mordomos (no 10° clamor de Santo Isidoro que saía do Convento de Santa Clara de Caminha), são obrigados a acompanhar a dita procissão com suas tochas e becas vermelhas até à porta grande e vai prosseguindo a procissão incorporada até ao Cais, no qual caso havendo marés é obrigatório o tesoureiro da confraria a ter barcos para passar toda a gente à Senhora da Ajuda, e não havendo maré, carros bastantes que passem à custa da confraria; e da Senhora da Ajuda, a procissão vai incorporar-se no cruzeiro que está junto às casas de Seixas e aí se canta a missa sem pregação!

Estamos em Vila Nova de Cerveira, com a Ilha dos Amores, a Boega, Goyan e o ferry-boat, o Convento de Sampaio, a Senhora da Encarnação.

O Castelo de Vila Nova de Cerveira, hoje, Pousada de D. Dinis, também era Caminho de Santiago. Dentro dos seus muros encerrava a Casa da Câmara, a Cadeia, o Pelourinho, a Santa Casa da Misericórdia que, embora posteriormente remodelada, remonta ao último lustre do século XVI, precisamente, a 1595.

Valença no Caminho do Noroeste

E chegamos a Valença! Praça-forte, a história de Valença diz- nos que no fim do século XII foi povoada por D. Sancho, que lhe concedeu foral mais tarde, confirmado por D. Afonso II (1217). Chamava-se, então, Contrasta. D. Afonso III mudou-Ihe o nome para Valença e deu-lhe novo foral (1262).

A fortaleza foi melhorada no tempo dos Filipinos. Dispõe de um duplo polígono defensivo, apoiado por doze baluartes e quatro revelins. Tem quatro portas: de Santiago ou do Sol, da Gabiarra, da Frente da Vila e da Coroada.

Em 1381, muitos Cónegos e Raçoeiros da Sé de Tuy mudam-se para Valença devido ao Grande Cisma. Durante perto de um século (1381/1474), a Igreja de Santo Estevão foi sede da Colegiada de Valença. Equiparada a um bispado, a Comarca Eclesiástica de Valença tem administração autónoma e a Igreja de Santo Estevão chama-se «Sé de Valença».

Em 1440 o «Bispado de Tuy da parte de Portugal» muda-se para o Bispado de Ceuta e, mais tarde (1512), para o Arcebispado de Braga.

Em 1502, D. Manuel I passa a caminho de Santiago de Compostela e concede-lhe novo foral, em 1512.

E vamos até Tuy, até Santiago!

Fonte: “Santiago – Caminhos do Minho” da autoria de Francisco Sampaio e editado pela ADETURN (Associação para o Desenvolvimento do Turismo da Região Norte) adaptado | Imagem (meramente ilustrativa) de larahcv