«Caminhos de Santiago» – Os circuitos

Caminhos de Santiago

Podemos dizer que são itinerários “paralelos” que se, por vezes, coincidem com os anteriores “caminhos” têm a finalidade de “informar” os peregrinos e turistas de que estão num circuito dos “Caminhos de Santiago”.

É necessário, muitas vezes, saírem da via rápida ou da estrada nacional para poderem, caso o pretendam, percorrer o “verdadeiro” Caminho Medieval ou visitar a igreja românica ou a igreja cujo patrono é Santiago.

É o que aparece, por exemplo, nas “autopistas” do circuito do “Caminho Francês” com a sinalização “Caminho de Santiago“.

Propusemos idêntica sinalização que nos foi autorizada pela Xunta da Galiza em 1992 (simbologia). Também está a ser utilizada nas estradas portuguesas, por deferência da Junta Autónoma das Estradas (Direcções de Estradas Distritais de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Bragança.

Os circuitos do Caminho de Santiago

Para esse efeito, consideramos 6 circuitos envolvendo a área geográfica do Minho (Caminho do Noroeste, Caminho do Lima, Caminho do Norte, Caminho de Celanova, Caminho da Geira Romana e Caminho de Lamego).

Caminho de Lamego

Lamego, peso da Régua, Amarante, Felgueiras, Guimarães, Braga, Monção, Melgaço.

Lamego, com o seu Castelo e a sua Torre de Menagem (séc.XIII), a Igreja de Santa Maria de Almacave,  a Sé Catedral, foi terra de votos de Santiago.

Segundo o Chronicon Iriense, Ramiro II no ano de 834 não satisfeito com a oferta que fez à Catedral de Compostela ordenou que todas as igrejas situadas  desde o rio Pisuerga até ao Douro pagassem ao apóstolo Santiago um censo

«no valor de uma medida de pão e de um almude de vinho por cada junta de bois com que lavrassem a terra, como prova de gratidão pela vitória sobre os árabes, pondo assim termo, pelo via militar, à degradante exigência de cem donzelas por ano».

E, ainda, no séc. XV a Catedral de Santiago reclamava à diocese de Lamego a renda destes votos!

Saímos de Lamego em direcção a Peso da Régua. Foi D. Teresa que doou a D. Hugo, Bispo do Porto, a igreja que ali existia com metade do rendimento da barca de passagem.

Em quinhentos, atravessavam o rio Douro

– a barca de Bagaúste, que pertencia ao Bispo de Lamego;

– a da Régua, do Bispo do Porto e do Infante D. Fernando;

– a do Carvalho, privada de uma quinta;

– a do Moledo, instituída por D. Mafalda;

– a do Bernaldo, privada e

– a do Porto de Rei, também da Rainha Mafalda.

E ainda lembrados dos velhos rabelos carregados de «vinhos finos», vamos seguir os dois caminhos de Santiago.

Por Mesão Frio ou por Peso da Régua

Uns, optavam pelo caminho que os levava por Mesão Frio, Amarante (a igreja e o convento de S. Gonçalo foram edificados em 1540, no interior existe um altar dedicado a Santiago.

De interesse, também, a Ponte de Amarante, mandada construir por S. Gonçalo para os peregrinos poderem transpor o rio Tâmega), e seguiam por Lixa, Felgueiras, em direcção a Guimarães e Braga com opção depois pelo “Caminho de Celanova” ou o “Caminho da Geira Romana”.

Outros saíam do Peso da Régua por Vila Real (fundada por D. Dinis em 1289, assumindo o privilégio da antiga Terra de Panóias – visita obrigatória a este santuário rupreste de origem pré-romana, assim como à capela de S. Brás (séc. XIV) e à Sé, antigo convento de S. Domingos, mandada construir por D. João I).

Depois, por Vila Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas, Vidago, Chaves (uma das principais encruzilhadas de vias de peregrinos – em 1160 D. Mafalda manda construir capela e albergaria destinada a acolher os peregrinos jacobeus), depois, Verin, Orense, Lalin e Santiago.

Também pode optar, na saída de Braga, pelo Caminho que passa por Pico de Regalados, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Monção/Salvaterra e/ou pela Geira Romana, com saída na Portela do Homem e entrada na Ameixoeira por Melgaço e A Caniza.