Caretos de Podence – Demos à solta!
O Traje característico
Os Caretos vestem fantasias próprias: fatos de colchas franjados de lã vermelha, verde e amarela prolongadas num capuz com cauda entrançada da mesma lã colorida.
Pendem chocalhos pesados às suas cinturas e em diagonais no peito, e usam máscaras rudimentares, onde sobressai o nariz pontiagudo, feitas de couro, madeira ou de vulgar latão, pintadas de vermelho, preto, amarelo, ou verde.
Da sua indumentária, faz também parte um pau que os apoia nas correrias e saltos. A rusticidade do ambiente é indissociável desta figura misteriosa.


Os Rituais
Mergulhando na raiz profana e carnal, o verdadeiro motivo que move o Careto é apanhar raparigas para as poder chocalhar. Sempre que se vislumbra um rabo de saia, o Careto é impelido pelo seu vigor.
Ao Careto tudo se permite nesses dias, pois ele assume uma dupla personalidade. O indivíduo ao vestir o fato torna-se misterioso e o seu comportamento muda completamente, ficando possuído de uma energia transcendental.
Existe algo de mágico e de forças sobrenaturais ocultas em todo este ritual de festa que atribuí a estas personagens prerrogativas a imunidade interditas a outros mortais.
A antiguidade e originalidade desta tradição, cheia de cor e som e a vontade das gentes de Podence em preservar estas figuras fizeram dos Caretos personagens famosas para lá dos limites da aldeia…

Entrudo Chocalheiro
É tempo de Carnaval em Podence… e os mascarados suspendem o tempo, como suspensos se encontram os enchidos no fumeiro. Decretam a boémia, o riso e o excesso, como decretado está também o seu inevitável e cíclico fim.
Em pleno Entrudo, os “Caretos” saem à rua em alvoroço chocalheiro, procurando sobretudo as mulheres, novas e velhas, para as “chocalharem” e para se assumirem como os “donos” dos espaços públicos e até dos privados – que invadem com matreirice, cumplicidade ou passiva anuência dos seus moradores.
Sedutores e misteriosos, os Caretos guardam a magia dos tempos sem que as histórias junto à lareira franqueavam a entrada em mundos de sonho.
A eles tudo se permite; o anonimato dá-lhes prerrogativas: dá-lhes poder. Por dois dias no ano os homens são crianças e quem mais brinca mais poder tem.


