Quem eram os doze apóstolos escolhidos por Jesus?

Os doze Apóstolos

Naqueles dias, Jesus foi para o monte a fim de fazer oração; e passou a noite a orar a Deus. Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze entre eles, aos quais deu o nome de apóstolos.” (Lucas 6,12-13.)

Embora fossem um grupo heterogéneo, os doze eram extremamente unidos no seu amor a Jesus e, depois da ressurreição do Senhor (à excepção de Judas Iscariotes), na dedicação com que levaram a Sua mensagem a toda a humanidade.

Eis quem eles eram:

Pedro

Simão, o pescador da Galileia, recebeu de Jesus o nome de Pedro, “a pedra”. Apesar deste nome, os Evangelhos parecem realçar a sua impulsividade.

Foi rápido em declarar a sua fé em Jesus, mas, durante o julgamento do Mestre, negou três vezes que O conhecesse. Na nova igreja, Pedro trabalhou especialmente entre os Judeus, enquanto Paulo trabalhou com os gentios.

Segundo a tradição, foi crucificado de cabeça para baixo na Roma de Nero.

André

Este irmão de Pedro era também pescador. Ambos provinham de Betsaida.

Reza a tradição que André pregou na Cítia e foi morto numa cruz em aspa em forma de X (“cruz de Santo André“).

Tiago, filho de Zebedeu

Pescador, deixou o seu ofício para, com seu irmão João, seguir Jesus.

Quando certos aldeões samaritanos recusaram hospitalidade a Jesus, Tiago e João pediram-lhe que fizesse descer o fogo do céu sobre a aldeia. Segundo Marcos 3,17, Jesus chamou-lhes “filhos do trovão“.

Juntamente com Pedro, Tiago e João eram os discípulos mais chegados a Jesus. Tiago foi provavelmente o primeiro apóstolo a dar a vida pela sua fé ao ser decapitado por Herodes Agripa por volta do ano 44.

É para venerar São Tiago Maior, sepultado, segundo a tradição, em Santiago de Compostela, que inúmeros peregrinos fazem um ou mais dos Caminhos de Santiago.

João

Irmão de Tiago, João pode ter sido o discípulo “que Jesus amava“, conforme o Evangelho de S. João, e aquele a quem Jesus crucificado confiou o cuidado de sua mãe.

Paulo chamou a João um dos “pilares” da Igreja em Jerusalém, e ele foi provavelmente o autor ou a origem do Evangelho e das Epístolas de S. João, mas provavelmente não do Apocalipse, como durante muito tempo se julgou.

Segundo certas tradições, viveu até uma idade avançada.

Filipe

Como Pedro e André, Filipe era de Betsaida.

Na Última Ceia pediu a Jesus: “Mostra-nos o Pai“, ao que Jesus respondeu: “Quem me vê, vê o Pai.

Segundo a tradição, no fim da vida, Filipe pregou em diversas partes do Mundo.

Bartolomeu

O apóstolo com este nome em Mateus, Marcos e Lucas pode ser o Natanael do Evangelho de S. João.

Alguns peritos crêem que Bartolomeu (“filho de Talmai“) era o apelido de Natanael.

De acordo com João, Filipe disse a Natanael que Jesus era aquele acerca do qual tinham escrito Moisés e os profetas. Natanael respondeu: “De Nazaré pode vir alguma coisa boa?“.

Uma antiga tradição diz que Bartolomeu levou o Evangelho à Índia e à Grande Arménia, onde foi esfolado vivo e decapitado.

Mateus

O cobrador de impostos (“publicano“) Mateus deixou o trabalho um dia em que Jesus passou pelo seu escritório e lhe disse: “Segue-me.

Como outros judeus que cobravam impostos para Roma, Mateus era provavelmente desprezado pelos seus conterrâneos. Um nome alternativo, Levi, é dado a este apóstolo nos Evangelhos de Marcos e Lucas.

Num banquete em sua casa, Jesus foi criticado por se associar aos “publicanos e pecadores“, mas replicou, dizendo: “Não foram os justos, mas os pecadores, que eu vim chamar ao arrependimento.”

Mateus é tradicionalmente considerado o autor do Evangelho com o seu nome.

Tomé

Chamado “o Gémeo” no Evangelho de S. João, Tomé ansiava seguir com Jesus para a Judeia, mesmo que tivesse de morrer com ele, mas só acreditou que Jesus tivesse ressuscitado depois de o ver em pessoa.

Segundo a tradição, Tomé levou o Evangelho à Índia, onde foi martirizado.

Tiago, filho de Alfeu

Pode ser Tiago, o Menor, de Marcos 15,40, para o distinguir do irmão de João.

Uma tradição bastante duvidosa identifica-o com “Tiago, irmão do Senhor” (Gálatas, 1,19). que sucedeu a Pedro como chefe dos cristãos de Jerusalém e foi lapidado no ano 62.

Simão, o Zelota

Nada se diz de Simão na Escritura, a não ser que ele era um dos doze.

O epíteto a seguir ao seu nome indica que ele era zeloso quanto à lei judaica, mas pode também ter pertencido ao bando judeu dos Zelotas, que combatiam o domínio romano.

Em Mateus e Marcos, é chamado Simão, o Cananeu, transcrição da palavra aramaica que significa “zelota”.

Judas, filho de Tiago

Este Judas é provavelmente o Tadeu dos Evangelhos de Mateus e Marcos, que podem ter usado o sobrenome do apóstolo para evitar a confusão com Judas Iscariotes.

No Evangelho de João, Judas pergunta a Jesus, na Última Ceia, por que razão ele não se manifestava ao resto do mundo como se havia manifestado aos seus discípulos. A tradição liga-o intimamente a Simão, o Zelota, e pensa-se que ambos foram pregar à Pérsia e aí foram martirizados.

Judas Iscariotes

O sobrenome do traidor Judas pode significar “homem de Keriot“, o que indicaria que ele era provavelmente o único apóstolo não-galileu (Keriot é na Judeia).

Judas era o tesoureiro do grupo e, segundo o Evangelho de João, um tesoureiro desonesto. Traiu Jesus com um beijo por dinheiro.

Segundo Mateus, já tarde demais, Judas tentou libertar Jesus, depois enforcou-se, desesperado.

De acordo com os Actos 1,18, Judas comprou um campo com o salário do seu crime e “precipitou-se de cabeça para baixo e rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se espalharam“.

Fonte: Jesus no seu tempo (texto editado e adaptado)