D. Manuel I, Rei de Portugal e dos Algarves

D. Manuel I

D. Manuel I, de cognome O Venturoso, é um dos reis da 2ª Dinastia (conhecida por de Avis ou por Joanina).

Rei de Portugal desde 25.10.1495, nasceu em Alcochete a 31.5.1469, e morreu em Lisboa, a 12.12.1521.

Sucedeu a seu cunhado, D. João II, que morreu sem herdeiro legítimo, e devido às mortes sucessivas de seus irmãos mais velhos.

Filho do duque de Viseu, D. Fernando, irmão de D. Afonso V, e de D. Beatriz, filha do infante D. João, era bisneto, por parte de ambos, de D. João I.

D. João II, seu primo e cunhado, fê-lo duque de Beja (1484) e senhor de Viseu, governador do mestrado da Ordem de Cristo, condestável do reino e fronteiro-mor de Entre Tejo e Guadiana.

Casou, em 1497, com D. Isabel, filha dos Reis Católicos e viúva do seu sobrinho D. Afonso, a qual morreria de parto em 24.8.1498, vindo seu filho D. Miguel da Paz, herdeiro das coroas de Portugal e de Espanha, a morrer em 20.6.1500 – deste modo se desvaneceu a perspetiva dinástica da unidade ibérica sob a hegemonia de um rei português.

D. Manuel desposou, em 30.10.1500, sua cunhada D. Maria, que foi mãe dos reis D. João III e D. Henrique; em terceiras núpcias casou, em 24.11.1518, com D. Leonor, irmã de Carlos V, e que veio a ser mãe da infanta D. Maria, que se notabilizaria na cultura portuguesa.

Ao intitular-se «Rei de Portugal e dos Algarves de aquém e de além-mar, senhor da navegação e da conquista da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia», ficou a ser o símbolo da idade de ouro da história de Portugal.

No seu reinado:

Vasco da Gama atingiu Calecute, na Índia, em 20.5.1498, abrindo um novo período da história universal,

Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, em 22.4.1500,

– os Corte Real atingiram a Terra Nova (sécs. XV-XVI),

Afonso de Albuquerque conquistou Goa (1500) e Malaca (1511),

D. Jaime de Bragança conquistou Azamor (1513)

– e Tristão da Cunha (1514) chefiou uma faustosa embaixada ao papa Leão X.

Por então, todas as ambições e entusiasmos da Europa se concentravam em Lisboa.

Na ordem interna, o monarca

– fez publicar as Ordenações Manuelinas entre 1512 e 1521, e assim se procedeu à reforma dos forais,

– organizou o Estado burocrático e mercantilista,

– promoveu a reforma dos Estudos Gerais,

– instituiu bolsas de estudo no estrangeiro para estudantes portugueses

– e pensou criar nova universidade em Évora.

No seu reinado consolidou-se o estilo depois chamado manuelino na arquitectura religiosa, civil e militar.

No seu tempo viveram afamados pintores, estreando-se na sua corte Gil Vicente, local onde se realizavam festivais literários com a presença de numerosos poetas e outros escritores.

Acompanhou e apoiou a obra de assistência a que devotava especial cuidado sua irmã, a rainha viúva D. Leonor, fundadora das Misericórdias.” 1

O retrato de D. Manuel 2

Retrato de D. Manuel I

D. Manuel I era um homem alto, magro e bem constituído, com a particularidade de ter os braços tão compridos que as mãos lhe chegavam abaixo dos joelhos.

Usava o cabelo caído sobre os ombros, à moda da época.

Tinha a pele muito branca e uns bonitos olhos esverdeados.

A voz clara e agradável condizia bem com o feitio alegre, otimista.

Adorava caçar, comer, divertir-se.

Exercia a justiça com certa brandura e perdoava facilmente a todos os que prometessem emendar-se. Também mudava de ideias com facilidade e alterava ordens quando lhe parecia conveniente.

O seu emblema pessoal era a esfera armilar, que representava o mundo.

O guarda-roupa de D. Manuel 2

Os tecidos mais utilizados no vestuário do rei eram sedas, veludos, brocados, damasco, cetim, tela de ouro, tafetás (geralmente bordados a ouro), prata, pedras preciosas.

As mantas, as golas e mangas também se enfeitavam com peles de animais.

Existe um inventário do seu guarda-roupa. Só capas e casacos, tinha 150. E chapéus, 213! «Na Crista da Onda», n.º 6

A embaixada de D. Manuel a Roma 2

Deve ter sido há mais de seis anos, durante uma visita a Roma, que um artigo no «Repubblica» me deixou algo confuso.

«Dez por cento dos utentes dos transportes públicos em Roma são «portoghesi», noticiava o jornal, em tom de indignação.

Como me deslocava frequentemente de autocarro, comecei a estar mais atento a sinais de presença de portugueses, mas em vão.

Seriam mesmo tantos? O mistério, contudo, ficou rapidamente resolvido.

«Portoghesi» é alcunha dos passageiros que não pagam o transporte, explicaram-me.

A designação tem uma origem curiosa e remonta ao século XVI.

Em 1514, Roma foi palco de uma das mais esplendorosas festas jamais organizadas na urbe: o Papa Leão X recebeu, naquele ano, uma embaixada extraordinária provinda do Portugal del-Rei D. Manuel, carregada de presentes exóticos da India, entre os quais figurava um elefante.

O Papa, num gesto de agradecimento, convidou os participantes da comitiva para assistir a um espectáculo no Teatro Argentina.

Só que não contava com a esperteza dos romanos que, fingindo-se «portoghesi», tentaram entrar no teatro de borla. Simon Kuin

Casamento de D. Manuel com D. Leonor I com D.
Casamento de D. Manuel com D. Leonor”. Lisboa – Museu de S. Roque

1 In “O Grande Livros do Portugueses” (texto editado e adaptado) | 2 “Almanaque de Santo António “ – 1998 | “Casamento de D. Manuel com D. Leonor”. Lisboa – Museu de S. Roque