David Mourão-Ferreira nasceu a 24.02.1927

David Mourão-Ferreira

David Mourão-Ferreira nasceu no dia 24 de fevereiro de 1927, em Lisboa, e faleceu na mesma cidade no dia 16 de junho de 1996.

Era filho de David Ferreira, colaborador da Seara Nova e secretário do diretor da Biblioteca Nacional, Jaime Cortesão. Frequentou o Colégio Moderno e licenciou-se em 1951, em Filologia Românica, na Faculdade de Letras de Lisboa.

São influências marcantes na sua poesia, os presencistas (convive quotidianamente com José Régio em Portalegre para onde David Mourão-Ferreira fora cumprir serviço militar) e autores franceses como Paul Valery e Marcel Proust. Publica os seus primeiros poemas na Seara Nova e adere ao MUD Juvenil, movimento de resistência à ditadura salazarista.

Professor (1957) da escola universitária onde se formou, foi director do jornal A Capital (1974-1975) e Secretário de Estado da Cultura (1976-1978 e 1979).

Em 1984 assumiu a direcção da revista Colóquio/Letras.

Actividade literária

Como escritor, estreou-se com as peças Isolda, 1948, e Contrabando, 1950.

A Secreta Viagem, 1950, deu início a uma fecunda actividade poética, parcialmente contida em antologia: Obra Poética, 1980, em dois volumes. Posteriormente, surgiu Entre a Sombra e o Corpo, 1980, Os Ramos, os Remos, 1985, e O Corpo Iluminado, 1987.

Com o volume Cancioneiro do Natal, 1971, recebeu o Prémio Nacional de Poesia.

Da sua obra ensaística salientam-se, entre outros, Vinte Poetas Contemporâneos, 1960, Motim Literário, 1962, Hospital das Letras, 1966, Discurso Directo, 1969, Tópicos de Crítica e de História Literária, 1969, Sobre Viventes, 1976, Lâmpadas no Escuro, 1979, O Essencial Sobre Vitorino Nemésio, 1987, Os Ócios do Ofício, 1989, e Sob o Mesmo Tecto, 1989.

Ficcionista, com o livro Tempestade de Verão, 1954, conquistou o Prémio Delfim Guimarães, e com a novela Gaivotas em Terra, 1959, o Prémio Ricardo Malheiros.

Outras obras de ficção: Os Amantes e Outros Contos, 1968, As Quatro Estações, 1980, e Um Amor Feliz, 1986 (romance), galardoado com o Grande Prémio de Novelística da Associação Portuguesa de Escritores.

Fonte (textos adaptados): O Grande Livro dos Portugueses | O Parque dos Poetas 

Um poema

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira, in “Matura Idade