Espargo-bravo | Plantas bravias comestíveis

Espargo-bravo ou Corruda

Asparagus acutifoliu L

LILIACEAE, sub-família ASPARAGOIDEAE

Espontâneo nas regiões mediterrâneas, é relativamente abundante no Alto Douro e Terra Quente Transmontana (Vale da Vilariça, Vale do Sabor, Vale do Tua, Vale do Douro Internacional, etc.).

Na nossa região é frequente no sub-coberto de olivais, bosques, taludes, mortórios (vinhas abandonadas no tempo da filoxera e recolonizadas pelos matagais) onde esta espécie se comporta como trepadeira vivaz.

Surge também na Beira Baixa e Alentejo.

Existem em Portugal outras espécies de espargos bravos A. aphyllus L. nas dunas litorais e A. albus L., porém não têm tanto valor culinário.

A espécie cultivada é o Asparagus officinalis L.

Este espargo bravo é de grande valor culinário pelos seus turiões (rebentos novos provenientes de rizoma subterrâneo), surgindo em Fevereiro e Março de cada ano.

Correspondendo ao espargo cultivado tipo “Verde” mas de sabor menos adocicado, é delicioso e de grande valor nutritivo.

Pode ser cozinhado, como os espargos cultivados, em sopa, em omelete, em açorda e por muitas outras receitas.

Receitas

Sumo de espargos-bravos

Descasque cerca de meio quilo de espargos e corte-os em pequenos pedaços.

Esprema-os num centrifugador de sumos; faça o mesmo com duas batatas pequenas.

Divida os dois sumos por dois copos e tempere com sal e pimenta; polvilhe com salsa picada.

Sopa de espargos-bravos

Num tacho frite cerca de duzentos gramas de toucinho e cento e cinquenta gramas de linguiça às rodelas.

Retire-as e na gordura que ficou refogue uma cebola, quatro dentes de alho, a pimenta e colorau a gosto. Tempere com sal.

Entretanto, escalde um manhuço de espargos bravos cortados aos bocadinhos e junte ao refogado.

Adicione a água já a ferver e deixe ferver mais dois ou três minutos.

Antes de servir, misture um ovo batido e uma fatia de pão frito aos quadradinhos.

Tortilha de espargos-bravos

Corte às rodelas finas setecentos e cinquenta gramas de batatas e frite-as devagar em azeite sem queimar.

Bata oito a dez ovos e misture-lhe mais um molho de espargos bravos depois de escaldados e cortados aos bocadinhos e mexa bem.

Numa sertã deite um pouco de azeite e leve ao lume.

Quando estiver bem quente acrescente-lhe a mistura. Alise a parte superior e deixe secar por baixo.

Tape e deixe ao lume cerca de um quarto de hora.

Doce de espargos-bravos

Numa tigela junte duzentos gramas de farinha, oitenta gramas de manteiga e quatro colheres de sopa de azeite para preparar a massa.

Adicione três colheres de sopa de água fria e trabalhe rapidamente a massa.

Forme uma bola, tape e deixe repousar cerca de 45 minutos.

Entretanto, escalde os espargos em água salgada, escorra-os e passe-os numa frigideira com manteiga aquecida.

Estenda a massa e forre com ela uma forma própria, untada com manteiga.

Encha o fundo com feijões e tape bem a forma. Leve a forno médio cerca de um quarto de hora.

Retire do forno e coloque mais ou menos oitenta gramas de presunto em fatias muito finas, rodelas pequenas de queijo de ovelha de meia cura e por último, uns vinte espargos bravos bem grossos.

Bata dois decilitros de natas juntamente com três ovos e tempere ligeiramente com sal.

Adicione uma pitada de noz-moscada e um pouco de pimenta.

Aplique sobre o doce e enforne novamente durante mais algum tempo (aproximadamente 20 minutos) em forno médio.

Pode ser servido quente ou frio.

Arroz de espargos-bravos com sardinhas de lata

Faça um estrugido com três colheres de azeite, uma cebola às rodelas e dois tomates.

Junte-lhe duas chávenas de água a ferver, uma chávena de arroz e outra chávena de pontas de espargos bravos, previamente escaldados.

Deixe ferver cerca de um quarto de hora.

De seguida, coloque as sardinhas escorridas de três latas em tomate picante, em cima do arroz e deixe ferver um pouco mais.

Nota: em vez dos dois tomates pode utilizar meio pimento verde.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem