Fertilização do solo através de composto orgânico

Definição de compostagem

A compostagem é um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica, como estrume, folhas, papel e restos de comida, num material semelhante ao solo a que se chama composto.

O termo compostagem é hoje associado mais ao processo de tratamento dos resíduos orgânicos do que ao processo para aproveitamento dos resíduos agrícolas e florestais.

De acordo com o Dicionário Porto Editora, a compostagem é o processo biológico através do qual a matéria orgânica constituinte do lixo e transformada, pela ação de microrganismos existentes no próprio lixo, em material estável e utilizável na preparação de húmus.

A compostagem é um processo de oxidação biológica através do qual os microrganismos decompõem os compostos constituintes dos materiais libertando dióxido de carbono e vapor de água.

Apesar de ser considerado pela maioria dos autores como um processo aeróbio, a compostagem é também referida como um processo biológico que submete o lixo biodegradável à decomposição aeróbia ou anaeróbia e donde resulta um produto – o Composto.

O processo de compostagem envolve a decomposição da matéria orgânica por microrganismos e ocorre naturalmente, podendo, contudo, ser acelerado pela intervenção do homem.

O termo composto orgânico pode ser aplicado ao produto compostado, estabilizado e higienizado, que é benéfico para a produção vegetal. Contudo, em países como o Reino Unido, o termo composto também é aplicado com o sentido mais abrangente que inclui todos os substratos para propagação das plantas com base em turfas.

Objectivos da compostagem

O propósito da compostagem é converter o material orgânico que não está em condições de ser incorporado no solo num material que é admissível para misturar com o solo.

Outra função da compostagem é destruir a viabilidade das sementes de infestantes e os microrganismos patogénicos.

Caracterização dos materiais para compostagem

De forma genérica, os materiais vegetais frescos e verdes tendem a ser mais ricos em azoto do que os materiais secos e acastanhados.

Note-se que o verde resulta da clorofila que tem azoto enquanto que o castanho resulta da ausência de clorofila.

No caso das folhas, a senescência (em que se verifica o amarelecimento das folhas devido à degradação da clorofila) está associada à remobilização do azoto das folhas para outras partes da planta.

Os materiais ricos em carbono e os ricos em azoto

Os materiais utilizados para a compostagem podem ser divididos em duas classes,

– a dos materiais ricos em carbono (materiais castanhos)

– e a dos materiais ricos em azoto (materiais verdes).

Entre os materiais ricos em carbono podemos considerar os materiais lenhosos como a casca de árvores, as aparas de madeira e o serrim, as podas dos jardins, folhas e agulhas das árvores, palhas e fenos, e papel.

Entre os materiais azotados incluem-se as folhas verdes, estrumes animais, urinas, solo, restos de vegetais hortícolas, erva, etc.

A relação C/N de diversos materiais comportáveis encontra-se em várias publicações, designadamente no Anexo 10 do Código das Boas Praticas Agrícolas do MADRP e, uma lista mais pormenorizada, no Appendix A Table A.1 do On-Farm Composting Handbook, 1992 Northeast Regional Agricultural Engineering Service, U.S.A.

Os materiais para compostagem não devem conter vidros, plásticos, tintas, óleos, metais, pedras etc.

Não devem conter

– um excesso de gorduras (porque podem libertar ácidos gordos de cadeia curta como o acético, o propiónico e o butírico os quais retardam a compostagem e prejudicam o composto),

– ossos inteiros (os ossos só se devem utilizar se forem moídos),

– ou outras substâncias que prejudiquem o processo de compostagem.

A carne deve ser evitada nas pilhas de compostagem porque pode atrair animais.

O papel pode ser utilizado, mas não deve exceder 10% da pilha. O papel encerado deve ser evitado por ser de difícil decomposição e o papel de cor tem que ser evitado pois contém metais pesados.

Dimensão das partículas dos materiais

Outra característica que é fundamental para o processo de compostagem é a dimensão das partículas dos materiais.

O processo de decomposição inicia-se junto à superfície das partículas, onde exista oxigénio difundido na pelicula de água que as cobre, e onde o substrato seja acessível aos microrganismos e as suas enzimas extracelulares.

Como as partículas pequenas têm uma superfície específica maior estas serão decompostas mais rapidamente desde que exista arejamento adequado.

As partículas devem ter entre 1,3 cm e 7,6 cm. Abaixo deste tamanho seria necessário utilizar sistemas de ar forçado enquanto que os valores superiores podem ser bons para pilhas mais estáticas e sem arejamento forçado.

O ideal é que os materiais utilizados na compostagem não tenham dimensões superiores a 3 cm de diâmetro.

Quanto menor for o tamanho das partículas, maior é a sua superfície especifica, e portanto, mais fácil é o ataque microbiano ou a disponibilidade biológica das partículas mas, em contrapartida, aumentam os riscos de compactação e de falta de oxigénio.