Jardinagem no mês de Outubro – aclimatação

Floricultura no mês de Outubro: jardinagem e aclimatação

Outubro é um mês propício a várias práticas relacionadas com a jardinagem. Passaram os grandes· calores do estio, a temperatura mais amena e o ar mais húmido são favoráveis ao desenvolvimento de múltiplas espécies que ornamentam os nossos campos e jardins.

Vamos apresentar sumariamente certas noções de jardinagem em geral tendo escolhido para este mês de Outubro alguns problemas levantados pela aclimatação.

É do conjunto dos vários elementos meteorológicos e da energia solar que resulta o clima de uma dada região. Aclimatar uma planta é adaptá-la a um clima diferente do da sua região de origem.

Em certos casos de adaptação mais difícil, as condições naturais do local são insuficientes e esta é apenas possível com o auxílio de meios técnicos – os abrigos – que se destinam a procurar modificar os fatores climáticos locais, no sentido de os tomar tanto quanto possível iguais aos do «habitual» natural das plantas que pretende aclimatar.

Os abrigos destinam-se também a permitir as florações fora da época em que naturalmente ocorreriam (forçagem).

Damos a seguir algumas noções ·sobre abrigos:

Árvores e arbustos

As plantações densas de arvoredo podem ser aproveitadas para defender, pela sua folhagem, as culturas dos ardores do sol – Refrescadouros.

Com este objetivo devem escolher-se árvores de larga copa e de folha caduca. (Lódão, Freixo, Nogueira, Plátano, Ulmeiro, etc.) que, no Verão, pela sua sombra, atenuem a excessiva evaporação provocada pela intensa radiação solar e, no Inverno, uma vez despidas, facultem às culturas a reduzida ação calorífica e luminosa que permite combater a excessiva humidade e os seus possíveis efeitos cloróticos.

As cortinas de árvores ou de arbustos, formando sebes vivas, podem também desempenhar uma ação fundamental na proteção contra os ventos.

Neste caso as cortinas devem ser normais à direção dos ventos dominantes – geralmente Este-Oeste, para proteção dos ventos frios do Norte – e constituídas por árvores ou arbustos resistentes ao vento e de folhagem permanente (Cipreste, Cedro do Buçaco, Mióporo, Ligustro, Pitósporo, etc.).

A fim de tomar mais eficaz a ação protetora destas cortinas, pode-se aumentar a sua espessura plantando, em quincôncio, como convém, mais do que uma série de plantas, e também provocar e manter a baixa ramificação das mesmas, o que se consegue aparando-as por cima e lateralmente, formando assim uma verdadeira «sebe talhada».

As cortinas nestas condições desempenham quase sempre, simultaneamente, o papel de vedação fechada.

Muros

Podem ser de alvenaria ordinária ou de tijolo.

Assim com as sebes vivas, têm dimensões variáveis e orientação indicada pela predominância dos meteoros mais prejudiciais.

A cultura das plantas pode ser feita em faixas de terra que se estendem ao longo do muro e de largura dependente da altura do mesmo. No caso das sebes vivas a cultura feita nestas condições é prejudicada pela concorrência radicular das plantas que constituem a própria sebe.

Dada a variabilidade da incidência dos meteoros, que não pode ser acompanhada pela orientação dos muros, a ação destes como abrigo não é permanente. Por isso, e principalmente pelo facto de ser elevado o custo da sua construção, raras vezes são feitos com este exclusivo objetivo, interessando sobretudo o aproveitamento dos já existentes.

Esteiras

São geralmente utilizadas como proteção das plantas durante qualquer período delicado da sua vida.

A esteira é um abrigo móvel do mais largo uso. É tão frequente a sua aplicação na proteção das sementeiras contra os ardores do sol, como contra as baixas temperaturas e geadas nas estações frias.

Também podem ser utilizadas no ensombramento de estufins e de estufas e até na defesa contra os ventos.

Podem ser feitas com cana, tábua, bunho, junco, esparto, etc., e são ligadas por arame ou por fio resistente e alcatroado. Para melhor conservação podem ser banhadas num soluto de sulfato de cobre a 10 por cento.

Devem ser as dimensões que tomem prático o seu manejo.

Quando as esteiras são utilizadas horizontalmente, abrigando culturas feitas ao ar livre, podem ser estendidas sobre simples «armação» que assente em quatro estacas cravadas no solo e que sobressaia alguns centímetros acima das plantas. Assim facilmente se enrolam e desenrolam conforme as conveniências.

«Abrigo» propriamente dito

É uma construção de dimensões variáveis com o número e o porte das plantas a abrigar e cuja planta e alçados têm geralmente a forma retangular. É assim constituída por quatro paredes e uma cobertura plana horizontal.

As paredes são formadas pelo soco, que pode ser de alvenaria ordinária ou de tijolo (normalmente 80 cm de altura), e pelo «rotulado», constituído por «stores» ou painéis de fasquias afastadas 1,5-2 cm umas das outras e ligadas por arames resistentes. Uma ou duas portas convenientemente localizadas completam o conjunto.

Esta construção, também chamada «cabanejo» e impropriamente «estufa fria», constitui um abrigo onde o vento, a temperatura e a luminosidade diminuíram e a humidade se conserva mais facilmente. A proteção contra a geada também está assegurada

O «clima» assim criado presta-se otimamente para a cultura permanente, na nossa região, de Kentias, Aucubas, Fetos, Begónias, Philodendrons, Clívias, Aspidistras, Rhododendrons, Cíclames, Gloxínias, etc.

Durante este mês de Outubro em zonas não aclimatadas podem semear-se ervilhas de cheiro e maravilhas e plantar estacas de alecrim, murtas, rainúnculos, lírios e baunilha.

Fonte: “Almanaque” – Outubro de 1959 (pág.57 e seg.) (texto editado e adaptado) | Imagem