O milagre que o bicho-da-seda produz!

Bicho-da-seda

É um tipo de traça denominada Bombyx mori que produz a seda de qualidade comercial.

O seu nome composto recorda-nos que pertence à família dos bombicídeos e também que se alimenta da planta Morus multicantis, vulgarmente conhecida por amoreira.

Talento observador da imperatriz

A história da seda remonta a milhares de anos antes de Cristo, e a sua descoberta deve-se à perspicácia e ao talento observador de uma mulher, a imperatriz chinesa Sing-Ling-Shi.

Esta, curiosa perante o facto do aparecimento, em quantidades apreciáveis no jardim imperial, dumas raras larvas para se alimentarem de folhas das amoreiras que o imperador tinha feito plantar nos seus jardins, mandou que lhe apresentassem uma folha com a larva, dedicando-se a observá-la.

Logo notou o filamento sedoso que a larva expelia e como a mesma ia cobrindo seu corpo em forma de capulho.

Convencida que teria em suas mãos algo de real valor, resolveu estudar o processo de formação do capulho.

Trazendo para os seus aposentos imperiais mais folhas e mais larvas, seguiu maravilhada o laborioso trabalho dos insetos e, mesmo sem se aperceber, converteu-se na primeira cultivadora da preciosa seda.

Autorização obtida

Conseguiu obter do imperador licença para plantar o seu próprio campo de amoreiras, transferindo para ali muitos dos lindos arbustos do jardim, todos carregados de larvas.

Pacientemente, esperou pelos resultados.

Terminado o seu trabalho produtor, verificou que as larvas se convertiam em crisálidas, e o capulho com seu sedoso envoltório era abandonado.

Pretendeu desfiar os filamentos, mas faltavam-lhe os meios, pelo que inventou o primeiro carretel para enrolar o fio procedente do capulho.

Frequentemente a seda é chamada a rainha das fibras, por causa da sua alta resistência, da sua natural beleza e suave textura.

Ao contemplá-la, Sing-Ling-Shi pensou quão formosos e ricos materiais poderiam fazer-se com aquele fio e dedicou-se com êxito ao trabalho de inventar o tear do qual sairiam os primeiros panos de seda.

Segredo bem guardado

Durante milhares de anos, a China guardou cuidadosamente o segredo daquela descoberta que rapidamente começou a render importantes somas.

A corte imperial vestia-se de seda, as famílias da mais alta hierarquia, depois de jurar manter o segredo, seguiram o exemplo da imperatriz e começaram a produzir seda.

Em pouco tempo, a produção alcançou altos níveis e foi comercializada à medida que se aperfeiçoavam os panos tecidos com seda.

A seda começa a ser comercializada

Os mercadores persas, que em grandes caravanas, cruzando a Ásia montados em seus camelos, vinham à China para comerciar, foram atraídos pelo novo produto.

Assim, o rico género foi transportado uma e outra vez até Damasco, a capital onde se fazia o intercâmbio comercial entre os povos do Este e do Oeste.

Seguiu a seda os seus caminhos de triunfo e chegou até ao Império romano, o que abriu um mundo de riqueza aos seus comerciantes.

A história da seda e a luta que originara para chegar a ser conhecida, primeiro o segredo de sua produção, e depois para monopolizar a exploração do produto, constituem um dos mais interessantes capítulos da história económico-comercial da antiguidade.

O segredo da seda foi desvendado por espiões

Foi devido a espiões bem pagos pelo Império romano que pôde ser conhecido o seu segredo.

Clandestinamente, dentro de canas ocas de bambu, foram transportados ovos da Bombyx mori, assim como sementes de amoreira.

O segredo foi passando de uns a outros povos e com ele as fontes de produção proliferaram.

Fonte: ”Almanaque Mundial – 1977” (texto editado e adaptado) | Imagem

Capulho – invólucro ou envoltório em que se encerram as larvas dos insetos, designadamente o bicho-da-seda.