O Sol, a Lua, as estrelas e o calendário

As estrelas e os planetas

Não é difícil intuir a fascinação que as estrelas e, mais genericamente, a observação do céu exerceram e exercem ainda hoje sobre o homem. Para melhor a compreender, porém, torna-se necessário recuar no tempo, até chegarmos a uma altura em que a luz e a escuridão se contrapõem fortemente.

Não é difícil imaginar a estupefacção do nosso antiquíssimo antepassado perante o alternar do dia e da noite.

Ao pôr do Sol, fonte de vida e divindade adorada, sucede-se, para o nosso antigo progenitor, uma noite que pode ocultar todas as ciladas e até, por vezes, a morte.

Mas a noite não se encontra completamente privada de luz: ela traz consigo o clarão intenso da Lua, o tremeluzir das estrelas, a luz fria, mas reconhecível, de alguns planetas.

As estrelas e a Lua são elementos fixos da observação nocturna, tal como o Sol é a divindade do dia.

Observar o movimento dos astros

Será possível estudar e conhecer o movimento do Sol, da Lua e das estrelas?

São estas as perguntas que o homem primitivo faz a si próprio, enquanto aprende a recordar os percursos dos astros mais luminosos, os movimentos cíclicos da Lua, os desvios aparentemente casuais dos planetas.

E claro que não se trata de uma observação científica. Trata-se, antes, da busca de uma explicação. O que vêm a ser as luzes que observamos? Qual é a sua meta? Serão divindades amigas? Clarões de um fogo longínquo e inatingível? São talvez o lugar para onde o homem irá depois da morte?

O homem primitivo não sabe responder; sabe, porém, que, de alguma forma, aquelas luzes lhe dizem respeito.

Sente-se implicado no caminho cíclico dos astros e tenta perceber qual será essa implicação. Tenta perceber de que maneira a vida que ele vive sobre a terra e aquilo que vê no céu poderiam estar em comunhão entre si.

De qualquer das maneiras, uma implicação é certa: o Sol e a Lua, com os seus movimentos, determinam toda a vida. Indicam o tempo correcto para os trabalhos agrícolas, provocam todos os fenómenos naturais que estão na base da existência do homem antigo.

Por outras palavras, o Sol e a Lua recordam ao homem que o tempo passa e que cada momento é diverso do seguinte. Recordam que houve um ontem, há um hoje e haverá um amanhã.

Permitem que o homem organize da melhor maneira o seu próprio tempo. Mas, para isto, para recordar e prever o tempo, é necessário um instrumento especial, um instrumento que irá basear-se exactamente no movimento do Sol e da Lua: o calendário.

O calendário

Mal o homem primitivo conseguiu apoderar-se de um rudimentar sistema de cálculo, logo o utilizou para medir o tempo, regulando-o pela ciclicidade e pela periodicidade dos movimentos do Sol e da Lua.

Nascem assim intervalos mais ou menos longos, conforme o fenómeno natural observado. O Sol, que nasce e que se põe, formará o dia. A Lua, com as suas fases, o mês; e assim por diante. Os primeiros calendários são atribuídos aos Egípcios, Sumérios e Babilónios.

Como é natural, a forma de calcular o tempo varia. Alguns povos preferem tomar como base do próprio tempo o movimento da Lua; outros, o nascer e o pôr do Sol e a sucessão das estações.

Muitas vezes, como acontece entre os Hebreus, o tempo é calculado pelo movimento combinado do Sol e da Lua.

Em qualquer caso, todos os povos procuram fazer coincidir o movimento do Sol com o da Lua, interpolando e acrescentando períodos de tempo.

A Lua e o Sol tornam-se, assim, os «senhores» do tempo, um tempo não já amorfo, mas regulado e preciso, ao qual o homem deu uma vida, um ritmo biológico, indicando nele um princípio, um fim, uma repetição.

Fonte: Os segredos da Astronomia – A Astrologia | Imagem de Fabian Sykes