13 de Dezembro de 1545 – início do Concílio de Trento

Concílio de Trento

Décimo nono concílio ecuménico, reunido em Trento, na Itália, entre 1545 e 1563, convocado pelo papa Paulo III no sentido de redefinir aspetos doutrinais e impor regras de disciplina conducentes a uma reforma da Igreja.

A chamada Contrarreforma católica não foi uma simples reação à Reforma Protestante. Bem antigas, as suas origens nutriram no seio da Igreja todo um movimento contra os abusos, no sentido de se reencontrar a fé autêntica e desenvolver a instrução dos fiéis.

Havia muito tempo que se impunha com urgência a reunião de um concílio ecuménico.

Porém, a recordação amarga dos concílios do século XV, de Constança (1414-18) e Basileia (1431-48) particularmente, bem como as ambições políticas do imperador alemão Carlos V Habsburgo e de Francisco I de França, explicam a hesitação papal.

Teve início em 1545

Contudo, na sequência da divisão da Cristandade trazida pela Reforma, que pôs em causa a maior parte dos valores religiosos, das iconoclastias, dos massacres e guerras civis de carácter religioso que dilaceravam a Europa Central (nomeadamente a França), o papa Paulo III (1534-1549) convocou em 1545 o 19º concílio para Trento, cidade do Império Germânico, no norte de Itália.

Era sua intenção acabar com o Cisma e reformar a Igreja Romana para lutar contra as heresias que encontravam terreno fértil na ignorância religiosa e na corrupção dos costumes.

Este concílio foi interrompido de 1549 a 1561 e de 1552 a 1560 devido às guerras que assolavam a Europa.

Terminou em 1563, tendo tido uma duração real de 8 anos, dos quais os três últimos foram os mais produtivos.

Concluído em 1563, teve dez sessões

Conheceu dez sessões (duas dela, em Bolonha) em três períodos (1545-1549; 1551-1552; 1562-1563), para além de três papas, Paulo III, Júlio III e Pio IV, e uma média de 250-300 delegados conciliares nos trabalhos.

Os representantes da Reforma protestante, várias vezes convocados, não compareceram, o que impediu uma solução final em harmonia.

Relativamente aos trabalhos conciliares, os dois primeiros períodos caracterizaram-se por discussões teológicas destinadas a responder às teses protestantes, enquanto o último período se orientou para a reforma da Igreja Católica.

Duas questões básicas presidiram às reuniões: o dogma e a disciplina da Igreja.

Conclusões no aspeto dogmático

No que respeita ao aspeto dogmático, as conclusões mais importantes a retirar foram as seguintes:

– aceitação como texto oficial da Bíblia a tradução latina do texto grego feita por S. Jerónimo (Vulgata);

– manutenção dos sete sacramentos;

– afirmação da presença real de Cristo na Eucaristia;

– declaração de que as doutrinas da Igreja Católica, inicialmente baseadas nas Sagradas Escrituras, se completam com a tradição;

– imposição de obediência obrigatória de todos os católicos à autoridade papal no domínio espiritual.

Defendeu-se também a justificação pelas obras e pela fé, o culto dos santos, imagens e relíquias, e o Purgatório, entre outras disposições.

Estas e outras decisões foram mais tarde publicitadas com o nome de Profissão de Fé do Concílio de Trento.

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