A Revolta da Batata – maio de 1917

A Revolta da Batata foi um movimento de contestação popular ocorrido em Lisboa, no Porto e noutras cidades portuguesas entre 19 e 21 de maio de 1917, durante a Primeira República.

A revolta surgiu num contexto de grave crise económica e social provocada pela participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial. A escassez de alimentos, a inflação e o aumento do custo de vida atingiam sobretudo as classes mais pobres, que enfrentavam dificuldades crescentes para adquirir bens essenciais, como pão e batatas.

O aumento súbito do preço da batata — alimento fundamental para grande parte da população — desencadeou protestos, assaltos a mercearias, padarias e armazéns de víveres.

Em Lisboa, milhares de pessoas saíram à rua, enfrentando as forças policiais e militares. O governo de Afonso Costa respondeu com a declaração do estado de sítio e com forte repressão militar.

Os confrontos provocaram dezenas de mortos (40), centenas de feridos e muitos detidos (400). Apesar de ter sido apresentada pelas autoridades como uma ação desordeira ou conspirativa, a Revolta da Batata ficou na História como uma expressão do desespero popular perante a fome e as difíceis condições de vida em Portugal durante a guerra.

Este episódio revelou a fragilidade social e política da Primeira República e contribuiu para o aumento da instabilidade que marcaria o ano de 1917, culminando mais tarde na ascensão de Sidónio Pais ao poder.