Caminho de Celanova – Caminhos de Santiago

E diz a tradição que D. Manuel, no seu regresso de Santiago, ali ficaria em casa de Isabel Gonçalves da Costa, filha de Maria Lopes a venerável «mater familiae» que vai marcar a futura vila de Ponte da Barca.

E vamos dar um pulo até aos Arcos de Valdevez. São escassos 4 Km.

Estamos em Arcos de Valdevez

Ver a capelinha de Nossa Senhora da Conceição de portal singelo, com duas arquivoltas de perfil quebrado, sem colunelos, ambas decoradas à maneira românica, uma boleada, outra alardeando uma fiada de pérolas e onde jaz D. João Domingues, abade de Sabadim e fundador da capela (séc. XV).

O Pelourinho do conhecido mestre João Lopes, O Velho – IOANS / LOPEZ / ME FEZ – consta de uma coluna envolvida por toros coleantes, rematada por uma «pinha» com três esferas armilares e outros tantos escudos régios, de estilo manuelino (1515).

E aquele tríptico constituído pela Casa do Terreiro voltada para o espaço ajardinado que fica entre a Igreja Matriz e a Igreja do Espírito Santo, é saborear um dos espaços mais histórico-monumental das Vilas do Alto Minho.

E continuamos rio Lima acima, recordando Diogo Bernardes, até ao Castelo do Lindoso (a três léguas), por Vila Nova de Muía, com a sua Igreja Matriz, antiga igreja de um mosteiro da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.

Ermelo, com a sua Igreja Matriz do antigo mosteiro de Santa Maria, da Ordem de Cister, mantendo ainda a sua estrutura medieval a capela mor, o muro do cruzeiro, a entrada de absidiolos, a fachada ocidental tal qual foi no século XIII quando lá pernoitou D. Filipa de Lencastre, filha de John of Gaunt, noiva de El-Rei D. João I, vinda do mosteiro de Celanova, a caminho do Porto!

Em Soajo, os espigueiros

A escassos 5 Km, fica-nos o Soajo com o seu pelourinho e o campo comunitário dos espigueiros.

Entramos na fronteira da Madalena, admirando a albufeira do Alto Lindoso que desde Touvedo nos escondeu, tal como em Vilarinho das Furnas, tantos caminhos medievais, pequenas pontes, pequenas aldeias, as lições do tempo!

Ganhou-se em grandiosidade, no espectáculo, no cenário… perdeu-se o pormenor, a linguagem dos simples, frente à tecnologia e ao progresso!

Logo vem Lobios e a Herdadina que nos abrem o passo a Entrimo e Santa Maria, a Real, famosa peça barroca do século XVIII. Santa Comba de Bande, com o seu templo visigótico ou suevo, e depois Celanova. Celanova e S. Rosendo.

Aqui se fixou a família do Santo; aqui levantou o Mosteiro de S. Salvador em princípios do século X (de que nos sobra tão só a Capela de S. Miguel), o bem conhecido Mosteiro de S. Rosendo de pura traça barroca!

Aqui pernoitou D. Filipa de Lencastre como, aliás, outros reis de Portugal que por aqui fizeram as suas viagens de ida ou regresso a Santiago.

E vamo-nos por Ourense até Santiago.

Fonte: “Santiago – Caminhos do Minho” da autoria de Francisco Sampaio e editado pela ADETURN (Associação para o Desenvolvimento do Turismo da Região Norte) adaptado | Imagem de larahcv