Sistema métrico decimal – quem o inventou?

O pai do sistema métrico decimal

O Pai do Sistema Métrico Decimal foi um sacerdote católico francês, o Padre Gabriel Mouton (Lyon, 1618 — Lyon, 28.09.1694), vigário da Igreja de Saint-Paul, em Lyon. Era, também, Doutor em Teologia e interessava-se por matemática e astronomia.

No seu livro, Observationes diametrorum solis et lunae apparentium (1670), propôs um padrão natural de medida baseado na circunferência da Terra, e dividida decimalmente.

O seu plano, oferecido ao governo, em 1670, foi retomado pelo matemático Jean Picard. Só no séc. XVIII, porém, veio esse plano a ser sistematizado, por iniciativa da Academia das Ciências de França, que delegou tal incumbência aos sábios Borda, Lagrande, Laplace, Monge, Condorcet e Méchain Delambre.

O trabalho, concluído em 1790, foi aproveitado só mais tarde, em consequência das agitações criadas pela Revolução Francesa. A ideia influenciou a adoção do sistema métrico em 1799

O sistema foi adoptado em França, logo seguido por numerosos países com excepção dos países de expressão inglesa que só mais tarde aderiram devido à imposição da unificação internacional dos pesos e medidas. 1

Consequência da Revolução Francesa

A Revolução Francesa viria a significar, para os seus protagonistas, o triunfo da razão, à qual chegaram a proclamar sua deusa.

Tanta razão pôde chegar a ter efeitos tão nocivos ao ponto que a semana passou a ter, em vez de sete, dez dias! Esta reforma não singrou e foi facilmente abolida.

Mas singrou uma reforma muito mais importante: aos fanáticos da razão devemos o nosso actual sistema de medidas.

Antes da Revolução Francesa, cada nação, inclusive cada cidade, tinha os seus próprios sistemas de medida: por exemplo,

– não valiam o mesmo uma libra inglesa e uma libra florentina;

– a libra equivalia a dezasseis onças em Castela, doze em Aragão, vinte na Galiza e dezassete nas Vascongadas.

O comprimento chegou-se a medir segundo

– a distância entre o dedo e o nariz de um rei (era isto a jarda inglesa)

– ou entre a porta do palácio real e outro edifício (era isto a milha).

As relações entre unidades tornavam-se também muito complicadas:

– três pés equivaliam a uma jarda;

– e doze polegadas a um pé.

Se é verdade que a Revolução Francesa custou a cabeça de um rei, também é verdade que veio a coroar um sistema métrico muito mais simples e prático do que os anteriores.

Sobre o sistema métrico

A base do sistema métrico é, como o seu nome indica, o metro.

Os cientistas que procuravam uma unidade de comprimento decidiram que tivesse uma base objectiva: assim definiram-na como a décima milionésima parte do quarto de meridiano terrestre.

Para calcular esta distância escolheu-se o meridiano que passa por Paris e mediu-se este meridiano entre a cidade francesa de Dunquerque e a espanhola de Barcelona. A partir desta medida obteve-se uma unidade, o metro, que que se marcou numa barra de platina iridiada, actualmente conservada zelosamente em Paris.

A medida efectuada no século XIX era inexacta e não tinha em conta que o meridiano não é exactamente o mesmo em todo o planeta. Mas o metro estava já definido e preservado para sempre na barra de platina.

Na realidade, tanto dava que tivesse que ver ou não com o meridiano; o importante era ter-se definido uma unidade qualquer aceite por todos.

Outra vantagem do sistema métrico era que as frações definiam como o metro dividido por dez (o decímetro) ou por cem (o centímetro).

As grandezas maiores definiam-se também em múltiplos de dez: por exemplo, o quilómetro são mil metros. 2

Fontes: 1 Livro de Curiosidade + Wikipédia (texto adaptado) | 2 Alfa Estudante – Enciclopédia Juvenil – vol.8 (texto adaptado) | Imagem de OpenClipart-Vectors