Carlos Magno terá nascido no dia 2.04.742

Carlos Magno

Carlos Magno terá nascido em Aix-la-Chapelle, a actual cidade de Aachen, na Alemanha, no seio da família real dos francos. O seu pai era Pepino, o Breve, e o seu avô Carlos Martel.

No Dia de Natal de 8oo, em Roma, na Basílica de São Pedro, Carlos, filho do defunto rei dos Francos Pepino, o Breve, cognominado Carlos, o Grande – Carlos Magno – é sagrado imperador pelo papa Leão III.

Nesse dia, um soberano convertido, depois de trinta e dois anos de poder, no monarca mais poderoso do Ocidente, parece ressuscitar um império desaparecido há pouco mais de três séculos: o Império Romano.

É a imensidade dos territórios conquistados por Carlos Magno que o obriga a mudar a natureza dos seus poderes, a fazer-se conferir o título de imperador.

Imperador de um vasto território

Sucessor do pai a partir de 768, depois seu único herdeiro (após a morte do irmão Carlomano, em 771), Carlos Magno consegue, com efeito, entre 770 e 800, um conjunto territorial considerável, que vai do Elba ao Atlântico e do Mediterrâneo ao mar do Norte (tomando como referência os países actuais, da Checoslováquia ou da Hungria à França e da Espanha aos Países Baixos).

Estas conquistas vão-se fazendo à medida das ocasiões mais do que por um projecto político deliberado. A questão da sobrevivência, da longevidade de um conjunto tão diversificado coloca-se assim que os territórios são submetidos.

Ora, a sagração imperial pode contribuir de duas maneiras para assegurar esta sobrevivência. No imediato, dota o soberano de um carisma especial, de um prestígio que compensa o seu afastamento.

Quanto ao futuro, a ressurreição da noção do império permite promover a ideia de um Estado unitário e indivisível, acima da pessoa do imperador, quando a tradição dos Francos pretende que os reinos que sucederam ao Império Romano sejam simples bens patrimoniais partilhados, em cada geração, entre os diferentes herdeiros de um soberano.

As desgraças de Leão III

São os círculos especializados em direito romano que rodeiam Carlos Magno que parecem estar na origem da ideia de o fazer sagrar imperador. Mas o papa Leão III (795-816) dá ao projecto um suporte indispensável.

Porque o papado atravessa então uma crise: é objecto de gravíssimos ataques da aristocracia romana e não pode esperar qualquer apoio de Bizâncio, protectora tradicional da Itália, mas com a qual mantém, neste momento, um litígio devido a problemas teológicos.

O processo que leva à coroação desencadeia-se na Primavera de 789. Em Abril, o papa é preso pelos seus inimigos políticos, que o acusam das piores depravações. Carlos Magno, escolhido como árbitro, pronuncia-se a favor de Leão, mas reserva-se o direito de julgar da moralidade do papa.

É o pretexto da viagem a Roma, no Natal de 800. Carlos Magno vem pela quarta e última vez à Itália, um país que retirou aos Lombardos a partir de 774 e que governa por intermédio de um dos seus filhos.

Esta viagem marca o seu triunfo, e, simultaneamente, é a última visita do grande soberano às suas possessões meridionais: não voltará a Itália no decurso dos quinze anos que lhe restam de vida.

O triunfo e a eleição

Carlos Magno chega a Roma a 23 de Novembro de 800. É acolhido segundo um ritual próprio, utilizado desde o século IV para a recepção dos imperadores romanos e depois bizantinos.

O papa desloca-se até Mentana, trinta quilómetros a norte de Roma, para acolher o soberano; até entrar em Roma, Carlos Magno é seguido por uma procissão que entoa hinos em sua glória. Sobe ao Capitólio, a colina histórica de Roma, como um herói antigo, num carro. Não possuindo ainda o título, é já tratado como um imperador.

A partir deste momento, as fontes tornam-se confusas.

Uma assembleia em que se misturam laicos e eclesiásticos reúne-se a 1 de Dezembro para regularizar a situação do papa.