O cisma anglicano e o fim da dinastia dos Tudor

O cisma anglicano e o fim da dinastia dos Tudor

A 23 de Maio de 1533, o rei de Inglaterra Henrique VIII, segundo soberano da dinastia Tudor, divorcia-se da primeira mulher, Catarina de Aragão e desposa Ana Bolena, dama de companhia da rainha, que fez coroar dias mais tarde.

O acontecimento provoca a excomunhão do rei pelo papa Clemente VII, primeiro episódio de um cisma que se revelará definitivo.

A Inglaterra em 1533

Uma nova dinastia reina o país, desde o fim da Guerra das Duas Rosas: os Tudors, que sobem ao trono em 1485 com VII.

Henrique VIII é o segundo soberano desta dinastia. Segundo filho de Henrique VII, foi coroado em 1509 e desposou no mesmo ano Catarina de Aragão, viúva do seu irmão mais velho, Artur, morto em 1502.

Vinte e quatro anos após este casamento, o casal só conserva, dos filhos concebidos, uma única filha, Maria, nascida em 1516. O rei inquieta-se com, a descendência, e o seu temperamento leva-o então a procurar mulheres mais novas do que Catarina.

As seis mulheres de Henrique VIII

É o temperamento apaixonado do rei, mas também a sua obsessão por assegurar a descendência, quando ainda está presente a memória da Guerra das Duas Rosas, que explicam os casamentos de Henrique VIII:

Catarina de Aragão (rainha de 1509 a 1533)

Filha dos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, casa em 1501 com o príncipe de Gales, Artur, que morre em 1502.

É, portanto, cunhada, antes de ser mulher de Henrique VIII. Dos seis filhos que teve com o rei, um único sobreviveu: Maria, que virá a ser Maria I (Maria Tudor ou Maria, a Sangrenta).

Ana Bolena (rainha de 1533 a 1536)

A antiga dama de honor de Catarina de Aragão só dá uma filha: a futura Isabel I. Muito impopular no reino, é acusada de adultério e decapitada três anos depois de ser coroada.

Joana Seymor (rainha de 1536 a 1537)

Casada no dia seguinte ao da execução de Ana, morre pouco depois do nascimento de um filho, o futuro Eduardo VI.

Ana de Clèves (rainha em 1540)

Este casamento é um assunto político, combinado para aproximar o reino do partido protestante. Mas a noiva é efetivamente disforme: a união é anulada no mesmo ano.

Catarina Howard (rainha de 1540 a 1542)

Estimulada pelo partido contrário ao que provocara o casamento com Ana de Clèves, a nova rainha é breve julgada, e decapitada, pela sua má conduta.

Catarina Parr (rainha a partir de 1543)

Foi a única das mulheres de Henrique VIII que lhe sobreviveu. Casada com o rei em terceiras núpcias, voltará a casar-se depois da morte dele.

A Inglaterra após a morte de Maria Tudor

A 17 de novembro de 1558, Maria Tudor, rainha de Inglaterra desde 1553, morre. Sucede-lhe a sua meia-irmã, filha de Henrique VIII e de sua segunda mulher, Ana Bolena. Tem 21 anos de idade: um grande reinado começa.

Depois da morte de Henrique VIII, dois soberanos se sucederam: Eduardo VI e Maria I. O primeiro destes reinados correspondeu a uma expansão do protestantismo, o segundo, a um regresso em força do catolicismo.

Externamente, a Inglaterra aproximou-se de Espanha no reinado de Henrique VIII e sobretudo no de Maria Tudor, mulher de Filipe II. Mas os interesses dos ingleses invertem-se quando o país se envolve numa expansão marítima e comercial que choca com as posições dos Espanhóis.

No quadro das Ilhas britânicas, por fim, os reinos dos Tudor correspondem aos últimos tempos da existência de reinos separados. Em 1541, o rei de Inglaterra Henrique VIII tomou o título de rei da Irlanda.

Na Escócia, Maria Stuart (1542-1567), católica no reino protestante, é a ultima soberana antes da união, feita em benefício de seu filho Jaime VI, sucessor de Isabel I.

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