A água e as fontes no imaginário popular

A água e as fontes no imaginário popular

A cultura tradicional portuguesa está repleta de lendas de mouras encantadas que aparecem junto de fontes e poços, alusões a nascentes no cancioneiro popular, cantigas e adivinhas.

Não raras as vezes, os locais de onde a água brota límpida são transformados em locais de culto invariavelmente associados a milagres e aparições de Nossa Senhora. Tal como sucede no Calvário, em Vila Praia de Âncora.

No Calvário, em Vila Praia de Âncora, venera-se Nossa Senhora de Lourdes que, tal como em França, ali fez brotar água a partir das rochas.

A toponímia atesta a importância e a sacralidade desses locais com designações como Fonte Santa, Águas Santas, Fonte de Santo António ou Fonte de S. Gualter.

Outras, porém, fazem alusão às mouras que povoam o imaginário popular, quais divindades pagãs que habitavam nas suas águas e lhes atribuíam propriedades mágicas.

Segundo a crença antiga, elas apareciam geralmente na noite de S. João, penteando as suas tranças com pentes de oiro fino, elementos que nos levam a acreditar tratar-se de reminiscências de antigos ritos solares ligados ao solstício do Verão.

Já na mitologia grega eram as fontes, os ribeiros e as nascentes de água habitadas por ninfas aquáticas denominadas por náiades.

A Volta do Duche é uma das fontes mais concorridas de Sintra.

A água é essencial à vida do ser humano

Desde sempre, a água assumiu uma importância primordial na vida do Homem. Mesmo quando sentiram a necessidade de recorrer a elevações de maior inacessibilidade para melhor se protegerem, os povos castrejos fixaram-se sempre junto a importantes pontos de abastecimento de água.

E, construíram poços e cisternas para as armazenarem, dando início a uma engenharia que o haveria de levar mais tarde a erguer os imponentes castelos medievais.