História dos leques | Curiosidade

Origem dos leques

Uma lenda chinesa conta assim a aparição do leque.

Kan-Si, a formosa filha do mandarim assistia uma noite à festa das luzes… Todas as mulheres, como impunha o ritual, deviam cobrir o rosto com uma pequena máscara.

Kan-Si, que era de uma beleza incomparável, não pôde resistir ao calor sufocante que se fazia sentir e quis tirar a máscara mas, receando ao mesmo tempo que olhares indiscretos descobrissem o seu rosto, o que pensava constituir uma profanação, decidiu afastá-la apenas um pouco agitando-a com grande velocidade o que, provocava vento que a refrescava e impedia que a olhassem.

As dez mil mulheres que participavam nesta festa seguiram o exemplo da filha do mandarim: retiraram as máscaras e começaram a agitá-las junto ao rosto.

É assim que os chineses contam a história do aparecimento do leque.

Mas o uso dos leques é muito antigo.

No antigo Egipto

Já no Egipto, no tempo dos faraós, se usavam grandes leques feitos de penas de avestruz ou de folhas de palmeira.

Em Tebas foi encontrado um sarcófago onde aparecem grandes leques que, ao mesmo tempo serviam para refrescar o ar que o rei devia respirar e para afastar todos os insectos das oferendas sagradas apresentadas no templo.

Conta um historiador romano que o Imperador Augusto tinha um escravo cuja única função era abanar um leque antes e depois do banho, para refrescar a temperatura das termas, e durante a sesta.

Na Igreja Católica

Também na liturgia cristã se usou o leque para defender as sagradas espécies da Eucaristia fazendo mover grandes leques.

Ainda há poucos anos, antes do Concilio Vaticano II, em certos actos pontifícios quando o Papa era conduzido na cadeira gestatória, levava ao seu lado fâmulos que empunhavam leques.

Na Igreja antiga, durante a celebração do sacrifício da missa, dois diáconos estavam de pé junto do altar com leques de cambraia, de pele delgada ou de plumas de pavão real, para afastar os insectos dos vasos sagrados.

Na Europa

Os primeiros países da Europa a usar leques desdobráveis parece que foram Portugal e Espanha que trouxeram esta inovação da China.

Em França levantaram-se tantos conflitos entre os que construíam a armação do leque e os que faziam a folha pintando-a ou imprimindo-a que o rei Luis XIV teve de expedir cartas-patentes, em Janeiro de 1678, criando o grémio dos mestres de leques, dando-lhes o direito de fabricar leques, pintar e imprimir figuras e paisagens em papel, pele, penas, etc, mas ordenando ao mesmo tempo que comprassem as armações aos carpinteiros ou pentieiros ou então aos ourives, quando a armação fosse em outro ou prata.

Enquanto na Europa só as mulheres, em geral, se servem dos leques, na China era costume usá-los durante as visitas, escrever pensamentos e fazer desenhos neles.

No Japão

No Japão serviam

– para saudar amigos e conhecidos,

– para fazer as vezes de bandejas onde se apresentavam as oferendas

– e constituíam nas escolas um prémio para os bons alunos.

Dizem que se costumava entregar um leque aos condenados à morte, quando eram de certa condição. No momento em que eles se inclinavam para receber o presente tão pouco desejado, cortavam-lhes a cabeça…

Fonte: “Almanaque Boa Nova” – 2008 | Imagem