João I é aclamado rei de Portugal a 6.04.1385

D. João I, o de Boa Memória

Rei de Portugal desde 6.5.1385, nasceu em Lisboa a 11.4.1357, e faleceu na mesma cidade em 14.8.1433. Era filho de D. Pedro I e da dama galega D. Teresa Lourenço. Em 1364 tornou-se mestre da Ordem de Avis.

Leonor Teles, vendo nele um perigo para a sua hegemonia junto de D. Fernando, tenta em vão livrar-se dele, tramando a sua condenação à morte. Morto D. Fernando, seu meio-irmão, acaba por aceitar a chefia que lhe é entregue pelo movimento popular em Lisboa.

Preparou a conspiração que levou à morte do conde Andeiro (6.11.1383) e em 23.12.1383 aceitou o título de «defensor e regedor do reino».

As Cortes de Coimbra

Em 6.4.1385 as Cortes de Coimbra designaram-no rei de Portugal

Em Abril de 1385 reuniram Cortes em Coimbra, no decorrer das quais, D. João, Mestre de Avis, é aclamado rei de Portugal.

Para o efeito, muito contribuiu o afastamento dos outros possíveis candidatos ao trono de Portugal (D. Beatriz, D. João e D. Dinis – os dois últimos filhos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro) devido à intervenção do legista João das Regras. Também à pressão dos representantes de grande parte dos concelhos e dos «filhos segundos» de muitas famílias da nobreza. Apesar da oposição dos nobres presentes, que até ao fim sustentaram os direitos do infante D. João, filho de D. Pedro e D. Inês.

O talentoso jurista formado em Bolonha, João das Regras, sustentou a tese de que o infante D. João era filho ilegítimo, porque D. Pedro mentira ao afirmar que casara com D. Inês.

Sem herdeiro legítimo, o trono estava vago; ora, pretendia ele, quando o trono está vago, a nação tem o direito de eleger livremente um rei. Quem, melhor que o mestre de Avis, poderia ser escolhido?

Nas próprias Cortes se decide que o conselho do rei seja formado por dois representantes de cada um dos grupos sociais: clero, nobreza, letrados e cidadãos.

Depois das Cortes de Coimbra

Em 14.8.1385 alcançou sobre o rei de Castela, com a ajuda de D. Nuno Álvares Pereira, a vitória decisiva na batalha de Aljubarrota.

As tréguas sucessivas foram firmadas desde 1393 até que se estabeleceu a paz, em 1411 e 1432.

Em 1386, pelo Tratado de Windsor, firmou a aliança inglesa e em 2.2.1387 casou com D. Filipa de Lencastre, neta de Eduardo III de Inglaterra.

Em 1401 casou seu fiIho natural D. Afonso (c. 1370-1461), conde de Barcelos, com D. Beatriz, filha única de D. Nuno Álvares Pereira. D. Afonso viria a ser (1442) o 1º duque de Bragança.

Entretanto dera início à construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha.

A partir de 1412 associou D. Duarte ao governo, e em 1415 comandou a expedição a Ceuta, iniciando deste modo a expansão ultramarina portuguesa.

Na conquista da cidade marroquina tomaram parte muito activa os seus filhos D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique.

Já no fim da vida vê sua filha D. Isabel sentada (1430) no trono da Borgonha, ao tempo um dos mais importantes da Europa.

Escreveu o Livro da Montaria, que é uma das mais valiosas obras literárias portuguesas do séc. XV. Nele revela não só a sua cultura profana e eclesiástica mas também o seu interesse por diversos desportos e divertimentos, incluindo a dança, a música e o xadrez.

Fonte: O Grande Livro dos Portugueses (texto editado, adaptado e aumentado) | Imagem

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