O património vegetal à disposição da humanidade

O património vegetal

O uso dos recursos vegetais é tão antigo como a humanidade.

Desde muito cedo, a espécie humana soube retirar do meio, produtos ou bens, que contribuíssem para o seu bem-estar físico e ou espiritual.

O Homem recolector brindou-nos com uma espectacular relação simbiótica com o meio, onde os ciclos de vida se complementavam em interacção.

Com a tecnocratização esse mesmo Homem, agora mais evoluído, foi perdendo este sentido de relação com a Terra, encaminhando-se por vias de banalização e de desrespeito pelos Ecossistemas.

Se em zonas mais urbanizadas assistimos a um revivalismo em expansão, muitas vezes forçado, porém encarado como única “tábua de salvação“, também é certo que em zonas mais desfavorecidas e isoladas, é possível apreciar ainda este vínculo primordial, que para nós está revestido de uma riqueza antropologia indiscutível.

Mais uma vez queremos reforçar a importância do entendimento do Todo: o Património Vegetal, arriscamos dizê-lo, não se resume à simples utilização dos recursos naturais (vegetais) pelo gesto do seu aproveitamento.

Os vegetais integram o Ser Humano e ao mesmo tempo tornam-se vias preferenciais na ligação que este mantém com a Terra e com o Universo.

O Divino, muitas vezes é tangenciado por expressões rituais que assentam na utilização das plantas. Estas plantas estabelecem a ponte entre o real e o simbólico, entre o logos e a praxis, entre o homem, as crenças e o sonho.

Sugestões de leitura complementar

As utilidades do imenso património vegetal existente

Para além das plantas de cultivo, propriamente ditas, associadas ao aproveitamento agrícola e que servem de “sustento” às populações locais como a cultura da batata, milho, couves, nabos, castanha, centeio, vinha e mais recentemente a maçã, existe uma lista enorme de plantas bravias ou “aculturadas” que integram, também elas, a riqueza gastronómica da região [de Trás-os-Montes e Alto Douro]. Ler+

A Sinonímia relacionada com o património vegetal

Longe da cientificidade universalista de Lineu e demais discípulos da Botânica, a atribuição dos nomes às plantas sofre uma diversificação consoante as populações.

Consultando bibliografia especializada aprendemos que alguns nomes populares eram atribuídos de acordo com as propriedades medicinais das plantas. Ler+

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem