Receitas com plantas comestíveis e/ou medicinais

Receitas

Os temperos são considerados a alma dos cozinhados e a coroa de louros dos cozinheiros.

A sua utilização equilibrada, pode transformar uma refeição de rotina num prazer sensual de sabores. Ao mesmo tempo que são um catalizador precioso da digestão, para enfrentar as vicissitudes das excitações diárias ou as “pressas” do nosso sistema de vida.

E, é a angústia depressiva do «comedor em pé» deste milénio que coloca novamente as sessões à mesa, como actos de cultura e de convívio.

Assiste-se, assim, ao recrudescimento do interesse pelas artes culinárias ou pelo estudo de dietas ancestrais (dieta mediterrânica) que nos poderão fornecer os trunfos necessários para ganhar a luta contra as doenças ditas da civilização, antes que o homem cave a sua sepultura com os próprios dentes.

Nas páginas anteriores encontra-se uma lista de plantas medicinais e das suas propriedades, que aqui se transformam em ervas culinárias quer na componente de alegrar qualquer prato, quer como elemento nutritivo ou condimento da própria refeição.

Hoje, todas as plantas comestíveis medicinais, aromáticas, condimentares ou nutritivas – ou não comestíveis – são antes de mais, a harmonia que queremos com a natureza e acima de tudo o respeito por nós próprios.

Manteiga com arruda

Pique finamente algumas folhas de arruda e misture à manteiga.

Barre uma fatia de pão de mistura ou de centeio com esta manteiga.

O sabor da arruda contrasta melhor na manteiga quando o pão é torrado na brasa.

Caldo de perdiz de sagu

Coza os miúdos de pelo menos três perdizes, as asas e os pescoços, em água temperada com sal.

Retire as carnes e coe o caldo por um pano.

Leve o caldo de novo ao lume, juntando-lhe duas colheres de sopa de sagu.

Tempere com “Vinho do Porto” e azeite a gosto.

Deixe ferver até as pérolas de sagu estarem cozidas ou translúcidas e misture-lhes novamente as carnes.

Outra variante: as carnes servem para fazer uma canja de perdiz e o caldo é acrescentado ao pão partido grosseiramente.

Nota: Sagu – fécula que se extrai da medula do sabugueiro.

Sopa de ervilhas com borragem

Deixe cerca de duzentos gramas de ervilhas de molho de um dia para outro.

Passado este tempo, introduza-as numa panela e deixe cozer em lume brando juntamente com uma batata de tamanho médio, duas cebolas pequenas, um bom pé de borragem e algumas folhas de aipo.

Entretanto, coloque um pedaço de toucinho entremeado noutra panela e deixe levantar fervura.

Logo que ferver, retire a panela do lume e junte o seu conteúdo aos restantes ingredientes.

Coza tudo durante cerca de duas horas ou até as ervilhas ficarem macias.

Retire o toucinho que poderá posteriormente servir de acompanhamento, cortado em fatias

Retire também a borragem e as folhas de aipo e pode servir.

Sopa de favas

Refogue uma cebola picada no azeite e, em seguida, junte-lhe um quilo de favas e dois tomates médios, mexendo bem.

Adicione-lhe um litro de água a ferver e tempere com sal, pimenta e orégãos.

Deixe cozer as favas e quando estiver a ferver deite uns cinquenta gramas de arroz, deixando acabar de cozer.

Salada com erva-cidreira

Corte e coloque numa saladeira a parte de dentro do melão em pequenos cubos, tomate em forma de cunhas finas e pequenas rodelas de pepino.

Misture as folhas de erva-cidreira com iogurte e regue a salada com este molho.

Tempere a gosto e enfeite com mais folhas de erva-cidreira.

Salada de laranja com cidreira

Descasque quatro boas laranjas e separe-as em gomos e corte uma cebola média em rodelas finas.

Entretanto, prepare um molho com uma boa colher de sopa de vinagre de vinho, três colheres de sopa de azeite e uma colher de sopa de erva-cidreira picada.

Disponha os gomos de laranja e as rodelas de cebola numa saladeira e verta o molho por cima.

Deixe a marinar durante algum tempo antes de servir.

Acompanhe com umas fatias de presunto.

Carapaus com funcho

Limpe bem uns quatro carapaus e faça-lhe uns golpes oblíquos em cada um dos lados.

Nestes cortes e nas cavidades dos peixes, junte-lhe um pouco de funcho picado, folhinhas de salsa e sal.

Numa sertã, derreta cerca de trinta gramas de manteiga ou azeite e o sumo de um limão.

Disponha os peixes na sertã, virados um a um rapidamente.

Retire-os e coloque-os a grelhar untando com a pasta da sertã e um pouco mais de sumo de limão.

Massa simples

Coza um pouco de massa cortada ou esparguete em água e sal.

Entretanto, frite até ficarem estaladiças umas pequenas fatias de toucinho entremeado e dois ovos.

Quando a massa estiver cozida, escorra-a bem, coloque-a novamente na panela e adicione-lhe os ovos batidos, o toucinho e uma boa colher de orégãos picados.

Logo que os ovos estejam cozidos pode servir.

Fonte: “Etnobotânica – Plantas bravias, comestíveis, condimentares e medicinais“, José Alves Ribeiro, António Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva (texto editado e adaptado) | Imagem