Castanha da Padrela | Produtos regionais de Portugal

Castanha da Padrela

A castanha é um fruto de excelência em Portugal, em particular na região de Trás-os-Montes. A Serra da Padrela é o ícone desta castanha DOP, que está na origem de outra certificação regional…

Se por vezes o azeite é chamado de ouro líquido, a castanha podia ser considerada o ouro sólido…

Pelo menos em Trás-os-Montes, uma vez que a região tem as duas preciosidades em abundância e com qualidade certificada. O castanheiro é conhecido na história da alimentação como ‘árvore-pão’, devido ao uso intensivo que as populações deram ao seu fruto durante séculos.

Até à chegada da batata e do milho à Europa, a castanha era a base da alimentação dos mais pobres. Entre nós, desde tempos remotos que as populações do interior norte fizeram da castanha um aliado fundamental na sua alimentação e nos negócios.

Castanhas de quatro regiões

Portugal tem quatro Denominações de Origem Protegida:

– as castanhas de ‘Marvão-Portalegre‘, no Alentejo,

– e da ‘Terra Fria‘,

– dos ‘Soutos da Lapa

– e da ‘Padrela’, em terras transmontanas.

Entre as 16 variedades certificadas nas quatro zonas, meia dúzia estão ao redor da Serra da Padrela. Entre as castanhas da Padrela,

– a ‘Judia‘ representa mais de 80% da produção,

– mas é a ‘Longal‘ que é considerada a de melhor sabor, maior resistência e a mais fácil de descascar.

Outras de menor calibre têm menos interesse comercial, mas nem por isso são menos importantes na economia local.

Afinal a região está na origem de outro produto DOP, o ‘bísaro transmontano‘. Este porco a quem se dá ‘pérolas’, e bem, é criado à base de castanhas (e outros alimentos) que caem ao chão nos meses de Outubro e Novembro, o que contribui decisivamente para a excelência da sua carne fresca ou dos seus enchidos.

Origem na Ásia

Os castanheiros são oriundos da Ásia mas há espécies nativas em várias regiões na Europa. A presença da árvore na região é milenar. Consta que no século XIII, em Trás-os-Montes, as castanhas eram usadas como moeda de troca pela utilização de terras para cultivo.

Mais de metade da produção de castanha da Padrela é exportada para países como Espanha e França, onde se faz o tradicional marron glacé, e também para a Suíça e Brasil.

Os lotes do fruto são a mistura das diversas produções e apresentam um calibre que permite obter no máximo cerca de 90 castanhas por quilo. Se o número for inferior o calibre será maior.

A castanha pode ser apresentada cozida, congelada, pilada ou em calda. Além de saborear as castanhas, pode também tirar-se partido da beleza dos castanheiros no percurso ‘Dourado da Padrela’, uma viagem de 90 quilómetros que abrange os cerca de 30.000 hectares de soutos certificados.

Passaporte gastronómico

Nome: Castanha da Padrela DOP

País: Portugal

Morada: Freguesias dispersas pelos concelhos de Chaves, Murça, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar

Data de nascimento: Pré-história. Registos do século XIII

Particularidades: Castanha obtida através de castanheiros da espécie Castanea sativa, constituída pelas variedades: Cota, Judia, Lada, Longal, Negral e Preta

Texto de Fortunato da Câmara – Essencial/SOL – nº231