Plantas úteis para o homem – uma síntese

Plantas que convinham ao ser humano

Quando os primitivos caçadores colectores, que levavam uma vida nómada, começaram a viver no mesmo lugar, durante períodos mais ou menos prolongados, como fase prévia ao seu ulterior gregarismo, começaram provavelmente a semear algumas das plantas que mais consumiam, levando-as consigo para os seus novos locais de residência.

Já convertido em agricultor, o homem semeou os tipos de plantas que mais lhe convinham, iniciando com isso um processo de selecção artificial que continuou até os dias de hoje, daí resultando milhares de variedades.

Trigo, cevada, aveia e centeio

No ano 5.000 a.C. cultivavam-se já, na Mesopotâmia, algumas espécies de trigo (género Triticum).

Muitas delas foram caindo em desuso tendo-se recorrido a outras novas, obtendo-se assim variedades mais adequadas aos fins pretendidos.

O trigo foi um dos alimentos básicos dos seres humanos durante milénios, já que com ele se fabrica o pão, alimento completo descoberto pelos egípcios.

A cevada (género Hordeum) tem alguma semelhança com o trigo.

Cultivada desde a Antiguidade na Europa Meridional, estendeu-se a todo o mundo.

Actualmente não se utiliza já como cereal de panificação mas como alimento para o gado.

A aveia (género Avena) é também um cereal muito antigo. Não sendo adequada ao fabrico de pão, o seu grande conteúdo em vitaminas B, e B6, aminoácidos e inositol tornam-na um alimento muito nutritivo que se utiliza em papas e produtos dietéticos.

O centeio (género Secale) é um cereal muito resistente que pode desenvolver-se melhor em climas frios, do que outros cereais, pelo que é utilizado para o fabrico de pão, em lugares onde o trigo não prospera. Emprega-se também na preparação de aguardentes.

Leguminosas

As leguminosas produzem sementes com uma quantidade relativamente grande de proteínas, constituindo por isso um alimento adequado como complemento dos cereais.

O homem consome-as desde a Antiguidade.

A ervilha (Pisum sativum) cultiva-se, ao que parece, desde tempos antigos no Velho Continente, se bem que a sua origem não esteja esclarecida.

Existem vestígios da sua presença pelo menos desde a Idade do Bronze e supõe-se ter sido introduzida pelos indo-europeus nas suas primeiras migrações antes do seu estabelecimento definitivo.

O feijão (Phaseolus vulgaris) é originário da América do Sul e muitas variedades se cultivam hoje em todo o mundo.

Tem grande valor nutritivo, sendo consumida tanto a planta verde como as sementes secas.

Milho e arroz

O que o trigo e o centeio representam para os povos indo-europeus, são-no o milho para os habitantes da América Central e do Sul e o arroz para grande parte dos povos da Ásia.

O milho (Zea mays) foi cultivado em Espanha um ano após o descobrimento da América, e desde então estendeu-se a muitos outros países.

O seu gérmen é rico em substâncias oleaginosas dele se obtendo um óleo comestível.

O arroz (Orysa sativa) era já conhecido no Velho Continente há cerca de 2.500 anos, se bem que fossem os Chineses os primeiros a cultivá-lo.

Batata

Esta espécie (Solanum tuberosum) é um dos alimentos mais completos.

Originária dos Andes, cultiva-se actualmente em todo o mundo, em particular nas regiões temperadas e frias e nas zonas montanhosas.

Existem numerosas variedades destinadas ao consumo humano, para alimento do gado e para obtenção de amido.

Os tubérculos, quando verdes, são no entanto, venenosos.

Plantas açucareiras

O homem primitivo tinha no mel das abelhas o único produto doce disponível. Mais tarde encontrou plantas que lhe proporcionaram o açúcar que tanto desejava.

Nos climas temperados, a beterraba açucareira (Beta vulgaris), é a principal matéria-prima para obtenção de açúcar. Das plantas originais, que continham apenas, aproximadamente, 8% de açúcar, obtiveram-se as variedades actuais com cerca de 25%.

Nas regiões tropicais, o açúcar é extraído da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum)

Plantas oleaginosas

Existe um grande número de plantas de onde se extraem óleos.

Umas das mais conhecidas desde a Antiguidade é, sem dúvida, a oliveira (Olea europea), já citada na Bíblia.

Outras plantas produtoras de óleo comestível são, por exemplo, o milho, o girassol e a soja, para citar apenas algumas das principais.

Videira e lúpulo

Já no tempo de Noé se conhecia a videira (Vitis vinifera) cujos frutos se utilizam desde então para consumo em fresco e para a obtenção de vinhos e licores.

Cultiva-se em todo o Velho Continente (Europa), existindo, actualmente, vinhas em quase todo o mundo.

O lúpulo (Humus lupulus), cultiva-se para, com as suas inflorescências, aromatizar a cerveja, contribuindo também para a sua conservação.

Café e chá

Há plantas que, sem serem propriamente alimentos, têm uma grande importância, sendo consumidas em quase todo o mundo.

Uma das principais é o cafeeiro (Coffea arabica), cujas sementes torradas se tornam em infusão, constituindo o que se chama café.

As plantas do chá correspondem a diversas espécies do género Thea (pertencente à mesma família das camélias), cujas folhas servem para preparar uma infusão, o chá.

Notas complementares

1.- O trigo (Triticum vulgare e outras espécies), e muitos outros cereais foram, e continuam a ser, as plantas mais úteis ao homem, proporcionando-lhe, em muitos casos, uma parte importante da sua dieta alimentar.

2.- A fava, Vicia faba, é uma leguminosa muito rica em proteínas, originária da Ásia e que se cultiva em numerosos locais como alimento para o homem e também para o gado.

3.- Entre as plantas produtoras de óleo alimentar, o girassol (Helianthus annuus), originário da América do Sul, tem grande importância, sendo utilizadas as suas sementes também para a obtenção de óleos industriais.

4.- O cafeeiro (Coffea arabica) é originário da África Oriental, tendo-se a sua cultura expandido, actualmente, a todas as regiões quentes compreendidas entre os paralelos 35 de ambos os hemisférios.

5.- Cultivada desde a Antiguidade, a videira (Vitis vinifera) é uma planta que está associada à civilização humana. Foi introduzida pelos Romanos em grande parte da Europa e é hoje cultivada em numerosos países.

Fonte: Grande Enciclopédia das Ciências – Botânica | Imagem